India Times: Lula, “o cara”

Brasília — Recentemente, a secretária de Estado dos Estados Unidos Hillary Clinton pressionou o presidente brasileiro Lula da Silva para que o Brasil se juntasse aos Estados Unidos na imposição de novas sanções contra o Irã. Lula rebateu Clinton dizendo que “não é prudente empurrar o Irã contra a parede”. Não é o que Clinton gostaria de ter ouvido de um país que tem um dos assentos não permanentes no Conselho de Segurança das Nações Unidas e faz lobby por um assento permanente.

Subsequentemente, em Tel Aviv, Lula chocou líderes israelenses por se negar a visitar o túmulo do pai do sionismo, Theodore Herzl. Em maio, Lula vai ao Irã para se encontrar com o presidente Ahmadinejad, uma decisão que jornais dos Estados Unidos descreveram como “não representativa de um país que aspira ser considerado um igual entre os líderes do mundo”. Lula está agindo como um líder mundial?

Caçoado pelos comentaristas do Brasil por sua gramática imprecisa, Lula se tornou um hit no palco mundial com seu estilo de homem comum. Na cúpula financeira sobre a crise global em Londres, no ano passado, ao ver Lula o presidente Barack Obama gritou: “Lá está o meu cara. Eu amo esse cara. Ele é o político mais popular da terra”. As declarações de Obama foram feitas apenas alguns dias depois do brasileiro ter atribuído a crise global ao “comportamente irracional dos brancos de olhos azuis que antes da crise pareciam saber tudo sobre economia”. As declarações de Lula fizeram a elite brasileira ranger os dentes.

A nove meses de deixar o poder, Lula viaja o mundo atacando a ONU pelo “sistema de castas”, o mundo rico em Copenhagen e em campanha por um maior papel global para “poderes emergentes” e pregando o “diálogo” com o Irã. Isso fez alguns observadores ocidentais se perguntarem se ele está seguindo os passos de Hugo Chávez como “gladiador da batalha antiimperialista”.

Nada mais distante da realidade. Lula se tornou um herói em casa e um estadista no mundo por razões genuínas. No Brasil, sua taxa de aprovação está em 76%, um recorde para um presidente em fim de mandato. Sua conquistas domésticas foram sem precedentes: desde 2003, ele mais que dobrou o salário mínimo para o equivalente a 300 dólares, ajudou a tirar 20 milhões de brasileiros da pobreza e derrubou a dívida pública para 35% do PIB (de 55%). No ano passado, os reais brasileiros foram a quinta moeda com melhor performance do mundo, a inflação caiu para 4% e o país navegou pela crise econômica mundial quase sem danos.

Graças aos programas sociais de Lula, os maiores beneficiários do crescimento foram os pobres para os quais o presidente, que cresceu engraxando sapatos e dividindo um quarto com a mãe e oito irmãos, é um símbolo de esperança. A popularidade de Lula é tão grande que ele até recebeu crédito pela descoberta de petróleo na costa do Brasil.

O país pode se tornar em breve o terceiro maior produtor de petróleo do mundo e Lula já anunciou planos para gastar a renda do petróleo com programas contra a pobreza.

Naturalmente, Lula cometeu erros. Houve escândalos no governo e ele tem sido criticado pela esquerda do Partido dos Trabalhadores por ter se movido “muito para o Centro”. Mas ninguém questiona sua maior conquista: o posicionamento do Brasil no mundo. Lula converteu o músculo econômico em influência global ao promover o comércio “sul-sul” e crescentes ligações políticas com países em desenvolvimento. O que explica suas posições sobre o Irã, com o qual o comércio do Brasil cresceu 40% desde 2003. A químic com Ahmadinejad é tão boa que Obama pediu ao Brasil que medie as relações do Irã com os Estados Unidos, algo que Lula adoraria fazer. Na passagem por Tel Aviv, Lula sugeriu “alguem com neutralidade” para mediar o processo de paz no Oriente Médio. E ele não queria dizer Tony Blair.

Uma vez caçoado pela elite que bebe caipirinha em Copacabana, que “temia” que Lula poderia envergonhar o Brasil no exterior, o ex-operário metalúrgico tem demonstrando um domínio sólido da política externa. Durante seu primeiro mandato, ele trabalhou por relações mais próximas com a Índia, a China e a África do Sul.

Hoje a China, não os Estados Unidos, é o maior parceiro comercial do Brasil. Jogando um papel crucial na criação da IBSA e da BASIC, dois grupos envolvendo o Brasil, a Índia, a China e a África do Sul, Lula se tornou a voz mais forte das nações emergentes em questões globais como as mudanças do clima e a crise financeira. Com o movimento dos não-alinhados morto, esses grupos se tornaram a voz da Ásia, da África e da América Latina em questões globais. Descrevendo Lula como “uma referência para os países emergentes e também para o mundo em desenvolvimento”, em 2009 um importante jornal francês escolheu Lula como “homem do ano”.

Lula é o homem do momento porque ele seguiu uma fórmula simples, a de reforçar a economia doméstica, desligando o sistema financeiro do Brasil dos Estados Unidos, cultivando relações com países emergentes e seguindo uma política externa independente. E é por isso que ele pode falar o que quer em qualquer assunto.

Chamem de sorte, mas a falta de líderes carismáticos em outras nações emergentes também ajudou. Hoje, a China e a Índia são lideradas por tecnocratas, não por líderes de massa, a África do Sul não produziu um líder conhecido desde Nelson Mandela e o presidente da Rússia Vladimir Putin não tem as credenciais democráticas. Neste cenário, Lula agarrou a oportunidade com as duas mãos. Um líder indiano com imaginação poderia ter escrito este papel para si próprio?

Fonte: viomundo, que teve como fonte Shobhan Saxena, Apr 9, 2010, 12.00am IST do Times da Índia, via twitter do Tão Gomes Pinto

Brasil precisa formar mão de obra especializada em petróleo e gás de forma acelerada

Fonte: http://redepetrobrasil.org.br

Brasil precisa formar mão de obra especializada em petróleo e gás de forma acelerada

A formação de engenheiros, técnicos e operários para a exploração de petróleo e gás é o grande desafio brasileiro para o aproveitamento das novas reservas descobertas na camada pré-sal . Esta foi a principal conclusão dos participantes da audiência pública realizada pela Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) na noite desta segunda-feira (29).

A audiência foi o 5º painel do ciclo de debates Agenda Desafio 2009-2015 – Recursos Humanos para Inovação e Competitividade, proposta pelo presidente da Comissão, senador Fernando Collor (PTB-AL). O painel teve como título “Desafios, necessidades e perspectivas na formação e capacitação de recursos humanos para exploração, refino e distribuição dos produtos existentes nas reservas petrolíferas do pré-sal”.

O primeiro a se manifestar foi o presidente da BR Distribuidora, José Lima de Andrade Neto. Ele afirmou que a metodologia utilizada pelo governo brasileiro para a formação dos recursos humanos necessários à exploração do petróleo do pré-sal é diferente da usual. Segundo ele, a partir do projeto estabelecido, o país tem procurado adequar a formação da mão de obra necessária, em tempo hábil.

Lima Neto também salientou a necessidade de se reforçar a expertise de empresas de engenharia no Brasil. Ele disse que o país já teve grandes e competentes empresas de engenharia, mas a atuação e competência dessas empresas foram diminuindo ao longo dos anos.

Em seguida falou Marcelo Taulois, diretor-presidente da Aker Solutions do Brasil, uma multinacional de origem norueguesa. Ele falou da grande dificuldade da empresa em obter mão de obra qualificada. Segundo ele, um engenheiro recém-formado leva cinco anos para ser preparado para atuar neste mercado.

A empresa, que tinha 350 funcionários em 2007, hoje conta com 850 e pretende chegar a pelo menos 1,2 mil em 2012. Taulois afirmou que 4% dos custos com funcionários da empresa no Brasil é gasto em treinamento, fato sem similar em suas filiais em outros países.

– A demanda é muito maior do que qualquer pessoa aqui imagina – sentenciou, estimando que 200 mil novos profissionais terão de ser qualificados nos próximos dois anos.

Outro problema enfatizado por Taulois diz respeito aos fornecedores. Segundo ele, a Aker Solutions do Brasil tem um grupo de 16 engenheiros para ensinar aos fornecedores – são 78 no total – como elaborar os produtos necessários à empresa, que fabrica, entre outras coisas, a máquina que fica no fundo do mar abrindo e fechando válvulas dos diversos postos explorados.

Gestores

O presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon), Luiz Fernando Santos Reis, salientou a necessidade de se formar gestores. Segundo ele, falta capacidade gerencial em todos os níveis.

De acordo com Santos Reis, o Brasil forma anualmente 23 mil engenheiros, contra 80 mil na Coreia do Sul e 200 mil na India. Enquanto no Brasil há seis engenheiros para cada grupo de 100 mil habitantes, a média dos países desenvolvidos se situa entre 12 e 24. Já entre os países em desenvolvimento, como o Brasil, esta média é ainda maior, situando-se entre 18 e 30 engenheiros para cada 100 mil habitantes.

O presidente do Sinicom afirmou que o Brasil irá dobrar, até 2020, o número de plataformas para exploração de petróleo, que hoje somam 171. Ele lembrou que a tecnologia da exploração do pré-sal ainda está para ser construída, lembrando que o trabalho irá se deparar com condições de temperatura e pressão ainda ignoradas.

Por fim falou o diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Nelson Narciso Filho. Ele enfatizou a atuação da agência no fomento de programas de formação de mão de obra.

De acordo com Narciso Filho, os recursos estabelecidos em lei para a formação dessa mão de obra possibilitaram o lançamento de quatro editais, que totalizaram 46 programas com tal propósito. O último edital, lançado ano passado, teve 42 propostas, das quais dez se transformaram em programas.

Desde 1999, foram ofertadas 4,3 mil bolsas de estudos, a um custo de R$ 184,3 milhões. Embora não fosse o alvo inicial do projeto, afirmou que foram feitos “investimentos maciços” em infraestrutura laboratorial, uma vez que as escolas não tinham recursos para isso. Dos 515 projetos, 504 foram aplicados em investimento laboratorial, a um custo de R$ 1,36 bilhão. Outros 264 milhões foram utilizados no Programa de Mobilização da Indústria do Petróleo (Prominp).

Narciso Filho enfatizou a necessidade de se fortalecer o vínculo entre academia, governo e empresas privadas, para o desenvolvimento dos recursos humanos necessários à nova fase em que entrará o Brasil, na exploração do petróleo.
Ele também enfatizou a necessidade da formação de gestores que, a seu ver, é colocada como preocupação secundária.

A necessidade do fortalecimento desse vínculo entre governo, empresas e escolas foi também assinalada pelo presidente da comissão. Fernando Collor afirmou também que, mais uma vez, um painel realizado pela comissão conclui pela carência de mão de obra especializada, notadamente na área de engenharia. Ele lamentou que, para cada 100 alunos dos cursos de engenharia, apenas 30 chegam ao final do curso habilitados para exercerem algum trabalho. O senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) disse que o painel desta segunda-feira foi “um grande alerta à sociedade brasileira”.

Fonte: José Paulo Tupynambá / Agência Senado

Fonte: http://redepetrobrasil.org.br

Luís Nassif: o último suspiro de Serra

Luís Nassif: o último suspiro de Serra

Atualizado e Publicado em 18 de julho de 2009 às 23:38

18/07/2009 – 10:15

por Luís Nassif, em seu blog

Entenda melhor o que está por trás dessa escalada de CPIs, escândalos e tapiocas da mídia.

A candidatura José Serra naufragou. Seus eleitores ainda não sabem, seus aliados desconfiam, Serra está quase convencido, mas naufragou.

Política e economia têm pontos em comum. Algumas forças determinam o rumo do processo, que ganha uma dinâmica que a maioria das pessoas demora em perceber. Depois, torna-se quase impossível reverter, a não ser por alguma hecatombe – um grande escândalo.

O início da derrocada
O início da derrocada de Serra ocorreu simultaneamente com sua posse como novo governador de São Paulo. Oportunamente abordarei as razões desse fracasso.

Basicamente:

1. O estilo autoritário-centralizador e a falta de punch para a gestão. O Serra do Ministério da Saúde cedeu lugar a um político vazio, obcecado com a política rasteira. Seu tempo é utilizado para planejar maldades, utilizar a mão-de-gato para atingir adversários, jornalistas atacando colegas e adversários e sua tropa de choque atuando permanentemente para desestabilizar o governo.

2. Fechou-se a qualquer demanda da sociedade, de empresários, trabalhadores ou movimentos sociais.

3. Trocou programas e ideias pelo modo tradicional de fazer política: grandes gastos publicitários, obras viárias, intervenções suspeitíssimas no zoneamento municipal (comandado por Andrea Matarazzo), personalismo absurdo, a ponto de esconder o trabalho individual de cada secretário, uso de verbas da educação para agradar jornais. Ao contrário de Franco Montoro, apesar de ter alguns pesos-pesados em seu secretariado, só Serra aparece. Em vez de um estado-maior, passou a comandar um exército de cabos e sargentos em que só o general pode se pronunciar.

4. Abandonando qualquer veleidade de inovar na gestão, qual a marca de Serra? Perdeu a de bom gestor, perdeu a do sujeito aberto ao contato com linhas de pensamento diversas (que consolidou na Saúde), firmou a de um autoritário ameaçador (vide as pressões constantes sobre qualquer jornalista que ouse lhe fazer uma crítica).

5. No meio empresarial (indústria, construção civil), perdeu boa parte da base de apoio. O mercado o encara com um pé atrás. Setores industriais conseguem portas abertas para dialogar no governo federal, mas não são sequer recebidos no estadual. Há uma expectativa latente de guerra permanente com os movimentos sociais. Sobraram, para sua base de apoio, a mídia velha e alguns grandes grupos empresariais de São Paulo – mas que também (os grupos) vêem a candidatura Dilma Rousseff com bons olhos.

A rede de interesses
O PSDB já sabe que o único candidato capaz de surpreender na campanha é Aécio Neves. Deixou marca de boa gestão, mostrou espírito conciliador, tem-se apresentado como continuidade aprimorada do governo Lula – não como um governo de ruptura, imagem que pegou em Serra.

Será bem sucedido? Provavelmente não. Entre a herança autêntica de Lula – Dilma – e o genérico – Aécio – o eleitor ficará com o autêntico. Além disso, se Serra se tornou uma incógnita em relação ao financismo da economia, Aécio é uma certeza: com ele, voltaria com tudo o estilo Malan-Armínio de política econômica, momentaneamente derrotado pela crise global. Mas, em caso de qualquer desgaste maior da candidatura oficial, quem tem muito mais probabilidade de se beneficiar é Aécio, que representa o novo, não Serra, que passou a encarnar o velho.

Acontece que Serra tem três trunfos que estão amarrando o PSDB ao abraço de afogado com ele.

O primeiro, caixa fornida para bancar campanhas de aliados. O segundo, o controle da Executiva do partido. O terceiro, o apoio (até agora irrestrito) da mídia, que sonha com o salvador que, eleito, barrará a entrada de novos competidores no mercado.

Se desiste da candidatura, todos os que passaram a orbitar em torno dele terão trabalho redobrado para se recolocarem ante outro candidato. Os que deram apoio de primeira hora sempre terão a preferência.

Fica-se, então, nessa, de apelar para os escândalos como último recurso capaz de inverter a dinâmica descendente de sua candidatura. E aí sobressai o pior de Serra.

Ressuscitando o caso Lunus
Em 2002, por exemplo, a candidatura Roseana Sarney estava ganhando essa dinâmica de crescimento. Ganhara a simpatia da mídia, o mercado ainda não confiava em Serra. Mas não tinha consistência. Não havia uma base orgânica garantindo-a junto à mídia e ao eleitorado do centro-sul. E havia a herança Sarney.

Serra acionou, então, o Delegado Federal Marcelo Itagiba, procuradores de sua confiança no episódio que ficou conhecido como Caso Lunus – um flagrante sobre contribuições de campanha, fartamente divulgado pelo Jornal Nacional. Matou a candidatura Roseana. Ficou com a imagem de um chefe de KGB.

A dinâmica atual da candidatura Dilma Rousseff é muito mais sólida que a de Roseana.

1. É apoiada pelo mais popular presidente da história moderna do país.

2. Fixou imagem de boa gestora. Conquistou diversos setores empresariais colocando-se à disposição para conversas e soluções. O Plano Habitacional saiu dessas conversas.

3. Dilma avança sobre as bases empresariais de Serra, e Serra se indispôs com todos os movimentos sociais por seu estilo autoritário.

4. Grande parte dessa loucura midiática de pretender desestabilizar o governo se deve ao receio de que Dilma não tenha o mesmo comportamento pacífico de Lula quando atacada. Mas ela tem acenado para a mídia, mostrando-se disposta a uma convivência pacífica. Não se sabe até que ponto será bem sucedida, mas mostrou jogo de cintura. Já Serra, embora tenha fechado com os proprietários de grupos de mídia, tem assustado cada vez mais com sua obsessão em pedir a cabeça de jornalistas, retaliar, responder agressivamente a qualquer crítica, por mais amena que seja. Se já tinha pendores autoritários, o exercício da governança de São Paulo mexeu definitivamente com sua cabeça. No poder, não terá a bonomia de FHC ou de Lula para encarar qualquer crítica da mídia ou de outros setores da economia.

5. A grande aposta de Serra – o agravamento da crise – não se confirmou. 2010 promete ser um ano de crescimento razoável.

Com esse quadro desfavorável, decidiu-se apertar o botão vermelho da CPI da Petrobrás.

O caso Petrobras
Com a CPI da Petrobras todos perderão, especialmente a empresa. Há um vasto acervo de escândalos escondidos do governo FHC, da passagem de Joel Rennó na presidência, aos gastos de marketing especialmente no período final do governo FHC.

Todos esses fatos foram escondidos devido ao acordo celebrado entre FHC e José Dirceu, visando garantir a governabilidade para Lula no início de seu governo. A um escândalo, real ou imaginário, aqui se devolverá um escândalo lá. A mídia perdeu o monopólio da escandalização. Até que grau de fervura ambos os lados suportarão? Lá sei eu.

O que  dá para prever é que essa guerra poderá impor perdas para o governo; mas não haverá a menor possibilidade de Serra se beneficiar. Apenas consolidará a convicção de que, com ele presidente, se terá um país conflagrado.

Dependendo da CPI da Petrobras, aguarde nos próximos meses uma virada gradual da mídia e de seus aliados em direção a Aécio.

O blog do Nassif é aqui.

Lei do Micro Empreendedor Individual

Primeiro de julho, entra em vigor a lei do Micro Empreendedor Individual. “É o fim da informalidade com contribuição de R$ 57,15, no máximo”, disse Paulo Bernado, Ministro do Planejamento , em seu twitter.

Segundo levantamento do Ministério da Previdência há hoje no Brasil cerca de 10 milhões de pessoas que atuam na informalidade e podem ser beneficiadas com a nova legislação. São pessoas que têm receita bruta anual de até R$ 36 mil por ano e, no máximo, um empregado.

A Lei Complementar Federal 128/2008 cria a figura do Microempreendedor Individual (MEI), beneficiando pequenos empreendedores que vivem na informalidade, como pipoqueiros, costureiras, pedreiros, carpinteiros, manicures, entre muitos outros. Com a entrada em vigor desta lei, qualquer MEI poderá procurar os postos do Sebrae para se cadastrar e regularizar sua atividade. O processo de formalização é gratuito e deve trazer pelo menos 1 milhão de empresas para o mercado formal até o final deste ano.

Quais as vantagens em sair da informalidade?

Entre as vantagens de se tornar uma pessoa jurídica e estar regularizado perante as fazendas públicas federal, estadual e municipal, está a facilidade de aquisição de créditos e direito à aposentadoria pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).

O MEI ficará isentos de vários tributos, pagando um valor fixo mensal de INSS, ICMS, e, quando necessário, ISS. Com isso, ganham direito à aposentadoria por idade, invalidez, reclusão e licença-maternidade.

Quem poderá ser Microempreendedor Individual (MEI)?

Os beneficiários são homens e mulheres que trabalham por conta própria no comércio, na indústria e na prestação de serviço e têm faturamento anual de até R$ 36 mil. Para se inscrever como MEI é preciso atender aos seguintes requisitos:

  1. Ser autônomo com renda de até R$ 3 mil por mês
  2. Ter só um estabelecimento e no máximo um funcionário
  3. Não ser titular, sócio ou administrador de outra empresa
  4. Exercer uma das mais de 170 ocupações abarcadas no programa

Também é necessário estar de acordo com o art. 966 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (adiante reproduzido). Em caso de já ter CNPJ é preciso ser optante pelo Simples Nacional.

Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços.
Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa.

A inscrição é diferente para empresas criadas antes e depois da lei que cria o MEI?

Sim, para empresas criadas a partir de 01/07/2009 é necessária a inscrição no CNPJ, utilizando-se o processo simplificado de inscrição disponibilizado no Portal da Redesim dentro do portal da Receita Federal do Brasil (www.receita.fazenda.gov.br), lembrando que ainda está em fase de criação. E para aquelas já existentes até 30/06/2009, a inscrição vale somente a partir do ano-calendário 2010, abrindo-se a oportunidade em janeiro de cada ano, no Portal do Simples Nacional.

De quais impostos o microempreendedor ficará isento?

IRPJ, IPI, CSLL, COFINS, PIS, e do INSS patronal. Portanto, não estará sujeito ao recolhimento das alíquotas previstas nas tabelas do Simples Nacional.

Como será a tributação?

O Microempreendedor Individual (MEI) poderá optar pelo Sistema de Recolhimento em Valores Fixos Mensais dos Tributos abrangidos pelo Simples Nacional (SIMEI), independentemente da receita bruta por ele auferida no mês.

O pagamento deverá ser feito até o dia 20 de cada mês por meio do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS). Os valores são os seguintes:

  • R$ 52,15 – para o comércio ou indústria;
  • R$ 56,15 – para o prestador de serviços;
  • R$ 57,15 – para atividade mista (comércio ou indústria e prestação de serviços). O carnê para pagamento poderá ser impresso no aplicativo PGMEI, que estará disponível no Portal do Simples Nacional no site da Receita Federal, a partir de julho.

Caso o Microempreendedor Individual possua um único empregado, a um dos valores acima será acrescido:

  • Contribuição previdenciária patronal de 3% sobre o salário do empregado;
  • Contribuição previdenciária de 8%, descontada do empregado;
  • Contribuição ao FGTS de 8% sobre o salário do empregado;

Além disto, caso possua um empregado, o MEI deverá obrigatoriamente a entregar GFIP.

Como se inscrever?

O melhor é procurar os postos do Sebrae da sua cidade para receber todas as orientações.

redigido com sono
será revisado

Carta aos jornalistas sem-diploma

Rodrigo Manzano

Publicado em: 26/06/2009 09:49

Carta aos jornalistas sem-diploma

Queridos novos colegas,

Sejam bem-vindos. Vocês podem estar se sentindo um pouco rejeitados, mas nem todos os jornalistas estão aborrecidos com a notícia de que teremos novos colegas de trabalho agora. As reações mais violentas, acreditem, escondem amores obtusos, paixões desmesuradas e, quem sabe, até uma ponta de inveja. Estou particularmente feliz com a chegada de vocês ao nosso mercado profissional. Já era hora de nos encontrarmos com novas pessoas, novas ideias e novas abordagens em nosso dia-a-dia. Tanto barulho, não se iludam, não significa nada relevante. É apenas barulho e passa. A vida de jornalista, acreditem, não tem o glamour dos filmes e nem nós, o charme de um Clark Kent. Aliás, nem super-homens somos e com tanto trabalho em frente – não falta notícia no mundo, vocês verão – já era tempo de recebermos uma ajuda nesta difícil missão de informar nossos públicos sobre o que se passa além do portão de seu jardim.

Esta carta de boas vindas é sincera e espero que seja útil agora e no futuro. Quando chegarem às redações e assessorias de imprensa, certamente alguém tratará de menosprezá-los, porque, dirão, vocês não têm diploma. Isso não os faz menos jornalistas, porque nada relevante pode ser mudado apenas com um pedaço de papel. Vocês podem lhes responder, ou não. A melhor maneira de oferecer uma resposta a eles é praticando algo que muitos de nós não conseguimos: competência, ética, frescor e novas ideias. A profissão de jornalista é muito chata. Engana-se quem pensa serem as redações ambientes de reflexão, de engajamento e de sinceros desejos de mudança. São lugares cheios da poeira simbólica da imobilidade e do conformismo. Será uma boa oportunidade para vocês mostrarem a nós, jornalistas com diploma, que estivemos absolutamente equivocados nesse tempo todo e que há outras e melhores maneiras de exercer a nossa profissão.

Desconfiem sempre de tudo. Desconfiem se alguém lhes disser que a verdade é uma só. A verdade, caros colegas, são muitas. Há a verdade da vítima e a do assassino, há a verdade do político e do eleitor, há a verdade do patrão e do empregado. Vocês não têm que escolher uma delas, apenas dar espaço a todas. Se alguém disser que vai lhes ensinar a exercer a profissão – afinal, vocês são focas em nosso ofício – recusem. Recusem com elegância e digam ao seu interlocutor que é ele que pode aprender com vocês.

Chegará a hora que perguntarão…

Continue lendo em: portalimprensa.uol.com.br

Folha em campanha para 2010. E desaprendendo a fazer jornalismo…

Faço questão de republicar, por inteiro, o ótimo artigo abaixo, pertencente ao blog JornalismoB, por considerar muito importante que o máximo de pessoas fique a par do tipo de “jornalismo” que a Folha de São Paulo faz. Leia para seu próprio bem.

Para quem não sabe, JornalismoB é o blog dos estudante de jornalismo da UFRGS é um blog mantido por 3 estudantes de jornalismo da UFRGS.
Um abraço. Agradeço a Alexandre Haubrich por permitir que este pequeno blog/site publique os artigos do grande blog JornalismoB. 🙂

No final tem um vídeo da Record sobre as mentiras da Folha de São Paulo em relação a ditadura.

Vinicius AC

—————-

Folha em campanha para 2010. E desaprendendo a fazer jornalismo…

6 Abril 2009

A “ditabranda” da Folha de São Paulo está dando frutos. E frutos contundentes. A capa de domingo – provavelmente a edição mais lida de todos os veículos de comunicação impressos do país na semana – trata a candidata de Lula como uma criminosa. Não falo aqui de subjetividades. A coisa é tão forte que já se tornou uma agressão bastante objetiva.

folha-dilma-delfim1

“Grupo de Dilma planejou o sequestro de Delfim Netto”, é o título. Ou seja, ela era criminosa, certo? Não importa dizer em seguida que a atual ministra-chefe da Casa Civil diz não saber na época desses planos. O texto todo se contrói de forma a transformar Dilma Rousseff em uma verdadeira criminosa, mentirosa, agressiva, ambiciosa. O início da matéria é muito significativo. O primeiro parágrafo trata Dilma por Luiza, para depois explicar que esse era um codinome da guerrilheira. Mostra Luiza como uma ex-estudante que prefere montar um fuzil a estudar, que abandonara a faculdade e se dedica a uma luta sangrenta, e dá a entender – não afirma explicitamente, até porque nem poderia, mas deixa claro – que a menina de 22 anos sabia dos planos de sequestro. Sequestro, aliás, “de Delfim Netto, símbolo do milagre econômico e civil mais poderoso do governo federal”. Não bastasse criticar Dilma tão enfaticamente, a Folha louva Delfim Netto e a ditadura militar, como já vem se tornando hábito do jornal, vide o episódio “Ditabranda”.

O segundo parágrafo explica que Luiza na verdade é Dilma. E lista uma série de nomes usados pela ex-guerrilheira, em uma construção textual que induz o leitor a enxergar a personagem como uma mentirosa, aquela que usa diversos nomes para esconder seu rosto.

Mais adiante, cita um aliado de Dilma à época, que afirma que a ministra sabia do sequestro e, mais uma vez, a construção textual leva a crer que a contestação de Dilma à informação é mentirosa. A repercussão da matéria é ainda mais espantosa. A fonte de Fernanda Odilla, Antonio Roberto Espinosa, aliado de Dilma, afirma que foi entrevistado apenas por telefone e que as afirmações presentes na matéria decorrem de distorções dessa entrevista. Solicitou a publicação de uma carta no jornal – o que ainda não foi feito – esclarecendo o caso e desfazendo a mentira da Folha de S.Paulo. Um trecho de sua carta diz: “Afirmo publicamente que os editores da Folha transformaram um não-fato de 40 anos atrás (o seqüestro que não houve de Delfim) num factóide do presente (iniciando uma forma sórdida de anticampanha contra a Ministra)”. Em seguida, esclareceu cada ponto da matéria mentirosa. Vale a pena a leitura, não discorro sobre todos os itens por falta de espaço. Está AQUI.

No intertítulo da matéria fraudulenta, mais insinuações negativas a respeito da possível sucessora de Lula. A repórter Fernanda Odilla – se é que se pode chamar de repórter quem escreve um texto desses, absolutamente mentiroso – relata o esbanjamento de Dilma ao cortar o cabelo em um salão chique – “que servia champanhe aos clientes” – com o dinheiro do “assalto ao cofre do ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros”. Olha como eles são ladrões e hipócritas, faltava ela dizer.

Os planos do sequestro em si ficaram para o fim do texto. Claro, o suposto fato desenterrado agora é só um pretexto para desconstruir a imagem de Dilma. Começou – há algum tempo já, mas agora de forma mais agressiva – a campanha da Folha pela candidatura de Serra, para levar o PSDB ao Planalto em 2010.

A mesma Fernanda Odilla entrevista Dilma Rousseff na página seguinte. Ela não consegue, mas tenta o tempo inteiro desmoralizar a ministra, levá-la a admitir que a guerrilha era uma opção baixa, a assumir como um crime a sua luta contra a ditadura. Fica claro, por exemplo, na pergunta “A sra. faz algum mea-culpa pela opção pela guerrilha?”, como se Dilma devesse se envergonhar de sua resistência ao regime ditatorial. Mas Fernanda leva um cascudo da ministra por causa da atitude de seu jornal, essa posição antidemocrática e bastante direitista de dias atrás: “Por isso, minha filha, esse seu jornal não pode chamar a ditadura de ditabranda, viu? Não pode, não”. E ainda assim, a repórter continua usando de meios mesquinhos para levar Dilma a alguma contradição, citando ex-namorados, tentando fazer a ministra entregar alguém, confessar alguma atitude baixa.

Por tudo isso, peço desculpa por um post tão grande. Mas havia coisas que eu não podia simplesmente deixar passar. É preciso mostrar onde está o mau jornalismo. E mau jornalismo é fazer campanha muito antes dela ser deflagrada, e se dizendo imparcial, dizendo não ter lado. Usar as palavras de forma a induzir ao que não está dito, ao que não é verdadeiro, é péssimo jornalismo. Colocar na manchete uma afirmação não-comprovada, sem dizer que é só uma citação, é jornalismo dos mais medíocres.  Distorcer uma entrevista para conseguir um fato possivelmente inexistente é um péssimo exemplo de jornalismo. E tudo isso em um jornal que se diz “a serviço do Brasil”. Quero deixar claro aqui que a Folha está nitidamente em campanha pelo PSDB, pela candidatura de José Serra em 2010. E essa matéria é um exemplo explícito, gritante. Espinosa, a tal fonte de Fernanda Odilla, resume na carta já citada o que a repórter fez: “praticou o pior tipo de jornalismo sensacionalista, algo que envergonha a profissão que também exerço há mais de 35 anos”. Mais uma vez, sinto vergonha pelo que chamam de jornalismo no Brasil.

* Registro que o Jornalismo B lamenta a morte do jornalista e um dos líderes da resistência à ditadura militar Márcio Moreira Alves.

Postado por Cris Rodrigues

—————————————–

Vídeo da Rede Record sobre as mentiras da Folha de SP:

ZH: Lula é eleitoreiro. Yeda é salvação

ZH: Lula é eleitoreiro. Yeda é salvação

8 Abril 2009

Em meados de fevereiro, Lula recebeu 3,5 mil prefeitos em Brasília para negociar e anunciar medidas de auxílio às prefeituras. Em meados de abril, agora, Yeda Crusius – governadora do Rio Grande do Sul – reuniu cerca de 350 prefeitos do Estado para anunciar medidas de auxílio às prefeituras. Aparentemente fatos similares, para a Zero Hora eles são como água e vinho, como verdade e mentira, como Jornalismo B e ZH.

digitalizar0004No primeiro caso, o título da matéria principal da cobertura de ZH no dia do encontro foi “De olho em 2010, governo abre os cofres”. Agora, no dia em que Yeda recebeu os prefeitos, “Yeda corteja prefeitos em Porto Alegre”, com a seguinte linha de apoio: “Piratini faz encontro em momento de queda das verbas federais” (grifo meu). Notas algo estranho? A abordagem é semelhante? Por que o evento de Lula é eleitoreiro e o de Yeda não? Esse tipo de questão permeia as matérias inteiras. (…)

( Leia aqui a íntegra desta matéria )

(…) Na mesma matéria, ZH tenta aplicar o mesmo processo ao presidente. Depois de reproduzir declaração dele criticando alguns jornais, lembra, de passagem, que Lula disse em uma entrevista que não lia jornais. Como se esse fosse o cerne da questão. A verdadeira discussão que deveria ser criada em torno da declaração de Lula resume o que esse post tentou mostrar, e é óbvia, só não entende quem não quer – caso de ZH, que faz questão de se fazer de idiota enquanto faz isso com os leitores. O que Lula disse, sobre a cobertura que os principais jornais do país fizeram de seu encontro com os prefeitos, foi o seguinte:

– Fiquei triste como leitor, porque abusaram de minha inteligência e pensam que o povo é marionete e pensa como boi, como manada. Mas acabou o tempo em que alguém achava que poderia influenciar uma eleição por ser formador de opinião.

Postado por Alexandre Haubrich

———————————————————————————————————

AAmigos comentam:

Tenho muitas críticas ao governo Lula e ao próprio Lula, mas são sou simpático aqueles que tentam ridicularizá-lo, aqueles que tentam estigmatizar o nosso presidente como um sapo barbudo feio(sei que ele é feio, mas e daí?) e ignorante na tentativa de desgastá-lo politicamente. Ele não teria conseguido um décimo do que conseguiu, se não tivesse competência, instrução(mesmo sem diploma), inteligência e também uma determinação invejável.

Quanto ao uso de dois pesos e duas medidas por meios influentes da imprensa nacional com o objetivo de manipular os leitores. Isto sim é que é ridículo, burro e muuuuuito feio. Diria até que é algo desprezível, ainda mais numa sociedade que se diz uma democracia.

Você não está no Rio Grande do Sul? O que importa? Isto acontece em todo o Brasil. Dois pesos duas medidas. Imparcialidade zero, não só do Zero Hora. Por isto, pense bem e escolha com cuidado o que lê.

Vinicius AC