A cobrança de direitos autorais na internet

A cobrança de direitos autorais na internet

Por Vinicius AC

Do ClibRBS

MÚSICA

Fim do som livre

ECAD VAI COBRAR DIREITOS AUTORAIS POR MÚSICAS EXECUTADAS EM SITES, BLOGS E RÁDIOS ONLINE

Apolêmica da atuação do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) passa dos espaços públicos, festas, casas noturnas, rádios e TVs e chega no mundo virtual. Entre os alvos, estão blogs, sites, as web radios, web TVs e podcasts, que terão que pagar um valor correspondente à execução de músicas.

O gerente-executivo de arrecadação da entidade, Márcio Fernandes, adianta que a cobrança deve começar ainda este ano. Quem estabelece a possibilidade é a lei 9.610/98, que alterou e atualizou a legislação sobre direitos autorais em 1998. E isso inclui também os vídeos do Youtube, hoje o principal meio de divulgação musical online. O Ecad e a Google do Brasil – a empresa é a detentora do Youtube – estão “trocando minutas”, segundo Fernandes, complementando que há possibilidade de as duas partes fecharem um acordo.

– O Ecad já ganhou uma ação contra o Kboing (rádio virtual). Estamos cobrando quando é caso de streaming, não dos downloads – explica o gerente, adiantando que as rádios analógicas que retransmitem a programação via web também terão de pagar.

A liberação do pagamento dependerá exclusivamente da iniciativa do autor em abrir mão do recolhimento, mediante notificação a uma das associações de titulares de direitos que compõem o Ecad. Até quem detém o mecanismo de licenciamento conhecido como Creative Commons – projeto sem fins lucrativos que disponibiliza licenças flexíveis para obras intelectuais – precisa comunicar o escritório.

Legislação

A situação legal do direito autoral tem sido motivo de lobby e muita discussão nos meios políticos. O Ecad e as associações que o mantêm defendem que a atual legislação seja mantida. O Ministério da Cultura defende a criação de uma nova lei, para substituir a de 1998. E em março, um grupo de artistas, representantes das associações de música e do Ecad encontraram-se com o senador catarinense Raimundo Colombo (DEM) em Brasília, para solicitar a retirada dos projetos de lei de sua autoria. Os textos de Colombo previam alterações na lei de direitos autorais de modo a abster alguns usuários de música do pagamento da retribuição autoral e diminuir o valor cobrado de organizadores de eventos de 10% para 1% da arrecadação bruta.

Não bastasse o impasse, o Ecad tem sido alvo de denúncias: duas CPIs – no Rio de Janeiro e em São Paulo – investigaram a atuação e existem inclusive ações no Ministério Público questionando a falta de um controle maior sobre as ações da entidade. O gerente-executivo, Márcio Fernandes, admite que o Ecad tem sido alvo de críticas e investigações, mas, na opinião dele, elas ocorrem por conta da pouca informação que público recebe sobre a atuação e função. Por isso, a entidade tenta mudar o quadro, apostando em maior divulgação de seu trabalho.

Post proibido para quem tem mais de 30 anos

Post proibido para quem tem mais de 30 anos

por Luiz Carlos Azenha

Se você tem menos de 30 anos de idade hoje, significa que estava por perto dos 10 anos de idade em 1989. Por isso, não viveu a campanha presidencial daquele ano. Escrevo “viveu” no sentido de entender perfeitamente o que se passou à sua volta. Você leu a respeito ou ouviu dizer. Viver é outra coisa.

Antes, porém, vamos à origem deste post. Eu conversava com um colega jornalista a respeito de um texto que publiquei no Viomundo em que narrei minha experiência pessoal nos bastidores da TV Globo, emissora da qual eu era repórter na temporada eleitoral 2005/2006.

O post está aqui, mas eu resumo: descobri, por experiência vivida, que só cabiam denúncias contra o PT ou aliados do PT. Denúncias que batiam em outros partidos e especialmente no então candidato a governador de São Paulo, José Serra, eram menos denúncias.

Esta capa da Veja, por exemplo, mereceu repercussão acrítica na Globo. Ou seja, o Jornal Nacional reproduziu trechos do texto da revista sem confirmar de forma independente o conteúdo. Do ponto-de-vista factual, foi uma reportagem baseada em ilações e suposições. Nenhuma materialidade.

Já esta capa da IstoÉ não mereceu repercussão, acrítica ou crítica.

Na verdade, depois que colegas cobraram isonomia da direção da Globo em São Paulo — tratamento igual para iguais — confirmei de forma independente algumas informações contidas no texto, acrescentei outras e dei um número que, em minha opinião, fez a reportagem ser derrubada (jargão jornalístico para quando um trabalho vai para a gaveta do chefe): entre 2000 e 2004, a Planam comercializou 891 ambulâncias superfaturadas; 681 foram entregues antes do início do governo Lula, ou seja, no período em que José Serra e Barjas Negri eram ministros da Saúde. Isso, em si, não implica Serra, nem Negri diretamente no escândalo.

Mas deixa claro que um escândalo que se pretendia imputar ao governo Lula, para fins eleitorais, antes das eleições de 2006, teve sua gênese no governo de FHC (o mesmo se pode dizer do mensalão e da máfia dos sanguessugas, por exemplo), em ministério liderado por José Serra. Não se tratava de uma ilação ou de uma suposição, mas da verdade factual, registrada em documentos oficiais: 76% das ambulâncias superfaturadas foram entregues pela Planam no período Serra/Negri.

Para ler o que escrevi sobre isso, no meu caderninho de anotações, clique aqui.

Para ver os vídeos que faziam parte do famoso dossiê, clique aqui.

Na mesma campanha, além de viver pessoalmente a experiência das denúncias seletivas ou da repercussão seletiva das capas da revista Veja, eu também vivi o famoso episódio da compra (ou suposta compra) de um dossiê contra José Serra por parte de gente ligada ao PT. Há ainda muitos pontos obscuros sobre o episódio, inclusive sobre a origem do dinheiro.

Vivíamos a disputa entre o presidente Lula e o tucano Geraldo Alckmin quando estourou o escândalo: a apreensão em um motel de São Paulo de dinheiro vivo que seria usado para comprar o dossiê. A apreensão aconteceu no dia 15 de setembro de 2006. Mas as famosas fotos do dinheiro só apareceram na antevéspera do primeiro turno, em 29 de setembro de 2006, vazadas pelo delegado da Polícia Federal Edmilson Bruno, com Lula (lembrem-se, candidato à reeleição) apresentado na Folha de sábado, 30 de setembro de 2006, véspera da eleição, no papel de trombadinha:

Curiosamente, todo o episódio dos aloprados mereceu extensa cobertura da mídia brasileira, com investimento dos melhores recursos disponíveis para esclarecer o que de fato aconteceu. Porém, o vazamento das fotos, em si, não recebeu o mesmo tratamento.

Veja o conteúdo completo aqui: http://www.viomundo.com.br/opiniao-do-blog/esse-post-e-proibido-para-quem-tem-mais-de-30-anos-de-idade.html

Emir Sader: Por que a Folha mente

16 de abril de 2010 às 11:56

Emir Sader: Por que a Folha mente

16/04/2010

por Emir Sader, no seu blog

As elites de um país, por definição, consideram que representam os interesses gerais do mesmo. A imprensa, com muito mais razão, porque está selecionando o que considera essencial para fazer passar aos leitores, porque opina diariamente em editoriais – e em matérias editorializadas, que não separam informação de opinião, cada vez mais constantes – sobre temas do país e do mundo.

A FSP, como exemplo típico da elite paulistana, é um jornal que passou a MENTIR abertamente, em particular desde o começo do governo Lula. Tendo se casado com o governo FHC – expressão mais acabada da elite paulistana -, a empresa viveu mal o seu fracasso e a vitória de Lula. Jogou-se inteiramente na operação “mensalão”, desatada por uma entrevista de uma jornalista tucana do jornal, que eles consideravam a causa mortis do governo Lula, da mesma forma que Carlos Lacerda,na Tribuna da Imprensa, se considerava o responsável pela queda do Getúlio.

Só que a história se repetiria como farsa. Conta-se que, numa reunião do comitê de redação da empresa, Otavio Frias Filho – herdeiro da empresa dirigida pelo pai -, assim que Lula ganhou de novo em 2006, dava voltas, histérico, em torno da mesa, gritando “Onde é que nós erramos, onde é que nós erramos”, quando o candidato apoiado pela empresa, Alckmin, foi derrotado.

O jornal entrou, ao longo da década atual, numa profunda crise de identidade, forjada na década anterior, quando FHC apareceu como o representante mor da direita brasileira, foi se isolando e terminou penosamente como o político mais rejeitado do país, substituído pelo sucesso de Lula. Um presidente nordestino, proveniente dos imigrantes, discriminados em São Paulo, apesar de construir grande parte da riqueza do estado de que se apropria a burguesia. Derrotou àquele que, junto com FHC, é o político mais ligado à empresa – Serra -, que sempre que está sem mandato reassume sua coluna no jornal, fala regularmente com a direção da empresa, aponta jornalistas para cargos de direção – como a bem cheirosa jornalista brasiliense, entre outros – e exige que mandem embora outros, que ele considera que não atuam com todo o empenho a seu favor.

O desespero se apoderou da direção do jornal quando constatou não apenas que Lula sobrevivia à crise manipulada pelo jornal, como saía mais forte e se consolidava como o mais importante estadista brasileiro das últimas décadas, relegando a FHC a um lugar de mandatário fracassado. O jornal perdeu o rumo e passou a atuar de forma cada vez mais partidária, perdendo credibilidade e tiragem ano a ano, até chegar à assunção, por parte de uma executiva da empresa, de que são um partido, confissão que não requer comprovações posteriores. Os empregados do jornal, incluídos todos os jornalistas, ficam assim catalogados como militantes de um partido (tucano, óbvio) político, perdendo a eventual inocência que podiam ainda ter. Cada edição do jornal, cada coluna, cada notícia, cada pesquisa cada editorial, ganharam um sentido novo: orientação política para a (debilitada, conforme confissão da executiva) oposição.

Assim, o jornal menos ainda poderia dizer a verdade. Já nunca confessou a verdade sobre a conclamação aberta à ditadura e o apoio ao golpe militar em 1964 – o regime mais antidemocrático que o país já teve -, do que nunca fez uma autocrítica. Menos ainda da empresa ter emprestado seus carros para operações dos órgãos repressivos do regime de terror que a ditadura tinha imposto, para atuar contra opositores. Foi assim acumulando um passado nebuloso, a que acrescentou um presente vergonhoso.

Episódios como o da “ditabranda”, da ficha falsa da Dilma, da acusação de que o governo teria “matado” (sic) os passageiros do avião da TAM, o vergonhoso artigo de mais um ex-esquerdista que o jornal se utiliza contra a esquerda, com baixezas típicas de um renegado, contra o Lula, a manipulação de pesquisas, o silêncio sobre pesquisas que contrariam as suas (os leitores não conhecem até hoje, a pesquisa da Vox Populi, que contraria a da FSP que, como disse um colunista da própria empresa, era o oxigênio que o candidato do jornal precisava, caso contrário o lançamento da sua candidatura seria “um funeral” (sic). Tudo mostra o rabo preso do jornal com as elites decadentes do país, com o epicentro em São Paulo, que lutam desesperadamente para tentar reaver a apropriação do governo e do Estado brasileiros.

Esse desespero e as mentiras do jornal são tanto maiores, quanto mais se aprofunda a diminuição de tiragem e a crise econômica do jornal, que precisa de um presidente que tenha laços carnais com a empresa e teria dificuldades para obter apoios de um governo cuja candidata é a atacada frontalmente todos os dias pelo jornal.

Por isso a FOLHA MENTE, MENTE, MENTE, DESESPERADAMENTE. Mentirá no fim de semana com nova pesquisa, em que tratará de rebater, com cifras manipuladas – por exemplo, como sempre faz, dando um peso desproporcional a São Paulo em relação aos outros estados -, a irresistível ascensão de Dilma, que tratará de esconder até onde possa e demonstrar que o pífio lançamento de Serra o teria catapultado às alturas. Ou bastaria manter a seu candidato na frente, para fortalecer as posições do partido que dirigem.

Mas quem acredita na isenção de uma pesquisa da Databranda, depois de tudo o que jornal fez, faz e fará, disse, diz e dirá, como partido assumido de oposição? Ninguem mais crê na empresa da família Frias, só mesmo os jornalistas-militantes que vivem dos seus salários e os membros da oposição, com a água pelo pescoço, tentando passar a idéia de que ainda poderiam ganhar a eleição.

Alertemos a todos, sobre essa próxima e as próximas mentiras da Folha, partido da oposição, partido das elites paulistas, partido da reação conservadora que quer voltar ao poder no Brasil, para mantê-lo como um país injusto, desigual, que exclui à maioria da sua população e foi governado para um terço e não para os 190 milhoes de habitante.

Por isso a FOLHA MENTE, MENTE, MENTE, DESESPERADAMENTE.

Fonte: VioMundo

India Times: Lula, “o cara”

Brasília — Recentemente, a secretária de Estado dos Estados Unidos Hillary Clinton pressionou o presidente brasileiro Lula da Silva para que o Brasil se juntasse aos Estados Unidos na imposição de novas sanções contra o Irã. Lula rebateu Clinton dizendo que “não é prudente empurrar o Irã contra a parede”. Não é o que Clinton gostaria de ter ouvido de um país que tem um dos assentos não permanentes no Conselho de Segurança das Nações Unidas e faz lobby por um assento permanente.

Subsequentemente, em Tel Aviv, Lula chocou líderes israelenses por se negar a visitar o túmulo do pai do sionismo, Theodore Herzl. Em maio, Lula vai ao Irã para se encontrar com o presidente Ahmadinejad, uma decisão que jornais dos Estados Unidos descreveram como “não representativa de um país que aspira ser considerado um igual entre os líderes do mundo”. Lula está agindo como um líder mundial?

Caçoado pelos comentaristas do Brasil por sua gramática imprecisa, Lula se tornou um hit no palco mundial com seu estilo de homem comum. Na cúpula financeira sobre a crise global em Londres, no ano passado, ao ver Lula o presidente Barack Obama gritou: “Lá está o meu cara. Eu amo esse cara. Ele é o político mais popular da terra”. As declarações de Obama foram feitas apenas alguns dias depois do brasileiro ter atribuído a crise global ao “comportamente irracional dos brancos de olhos azuis que antes da crise pareciam saber tudo sobre economia”. As declarações de Lula fizeram a elite brasileira ranger os dentes.

A nove meses de deixar o poder, Lula viaja o mundo atacando a ONU pelo “sistema de castas”, o mundo rico em Copenhagen e em campanha por um maior papel global para “poderes emergentes” e pregando o “diálogo” com o Irã. Isso fez alguns observadores ocidentais se perguntarem se ele está seguindo os passos de Hugo Chávez como “gladiador da batalha antiimperialista”.

Nada mais distante da realidade. Lula se tornou um herói em casa e um estadista no mundo por razões genuínas. No Brasil, sua taxa de aprovação está em 76%, um recorde para um presidente em fim de mandato. Sua conquistas domésticas foram sem precedentes: desde 2003, ele mais que dobrou o salário mínimo para o equivalente a 300 dólares, ajudou a tirar 20 milhões de brasileiros da pobreza e derrubou a dívida pública para 35% do PIB (de 55%). No ano passado, os reais brasileiros foram a quinta moeda com melhor performance do mundo, a inflação caiu para 4% e o país navegou pela crise econômica mundial quase sem danos.

Graças aos programas sociais de Lula, os maiores beneficiários do crescimento foram os pobres para os quais o presidente, que cresceu engraxando sapatos e dividindo um quarto com a mãe e oito irmãos, é um símbolo de esperança. A popularidade de Lula é tão grande que ele até recebeu crédito pela descoberta de petróleo na costa do Brasil.

O país pode se tornar em breve o terceiro maior produtor de petróleo do mundo e Lula já anunciou planos para gastar a renda do petróleo com programas contra a pobreza.

Naturalmente, Lula cometeu erros. Houve escândalos no governo e ele tem sido criticado pela esquerda do Partido dos Trabalhadores por ter se movido “muito para o Centro”. Mas ninguém questiona sua maior conquista: o posicionamento do Brasil no mundo. Lula converteu o músculo econômico em influência global ao promover o comércio “sul-sul” e crescentes ligações políticas com países em desenvolvimento. O que explica suas posições sobre o Irã, com o qual o comércio do Brasil cresceu 40% desde 2003. A químic com Ahmadinejad é tão boa que Obama pediu ao Brasil que medie as relações do Irã com os Estados Unidos, algo que Lula adoraria fazer. Na passagem por Tel Aviv, Lula sugeriu “alguem com neutralidade” para mediar o processo de paz no Oriente Médio. E ele não queria dizer Tony Blair.

Uma vez caçoado pela elite que bebe caipirinha em Copacabana, que “temia” que Lula poderia envergonhar o Brasil no exterior, o ex-operário metalúrgico tem demonstrando um domínio sólido da política externa. Durante seu primeiro mandato, ele trabalhou por relações mais próximas com a Índia, a China e a África do Sul.

Hoje a China, não os Estados Unidos, é o maior parceiro comercial do Brasil. Jogando um papel crucial na criação da IBSA e da BASIC, dois grupos envolvendo o Brasil, a Índia, a China e a África do Sul, Lula se tornou a voz mais forte das nações emergentes em questões globais como as mudanças do clima e a crise financeira. Com o movimento dos não-alinhados morto, esses grupos se tornaram a voz da Ásia, da África e da América Latina em questões globais. Descrevendo Lula como “uma referência para os países emergentes e também para o mundo em desenvolvimento”, em 2009 um importante jornal francês escolheu Lula como “homem do ano”.

Lula é o homem do momento porque ele seguiu uma fórmula simples, a de reforçar a economia doméstica, desligando o sistema financeiro do Brasil dos Estados Unidos, cultivando relações com países emergentes e seguindo uma política externa independente. E é por isso que ele pode falar o que quer em qualquer assunto.

Chamem de sorte, mas a falta de líderes carismáticos em outras nações emergentes também ajudou. Hoje, a China e a Índia são lideradas por tecnocratas, não por líderes de massa, a África do Sul não produziu um líder conhecido desde Nelson Mandela e o presidente da Rússia Vladimir Putin não tem as credenciais democráticas. Neste cenário, Lula agarrou a oportunidade com as duas mãos. Um líder indiano com imaginação poderia ter escrito este papel para si próprio?

Fonte: viomundo, que teve como fonte Shobhan Saxena, Apr 9, 2010, 12.00am IST do Times da Índia, via twitter do Tão Gomes Pinto

Brasil precisa formar mão de obra especializada em petróleo e gás de forma acelerada

Fonte: http://redepetrobrasil.org.br

Brasil precisa formar mão de obra especializada em petróleo e gás de forma acelerada

A formação de engenheiros, técnicos e operários para a exploração de petróleo e gás é o grande desafio brasileiro para o aproveitamento das novas reservas descobertas na camada pré-sal . Esta foi a principal conclusão dos participantes da audiência pública realizada pela Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) na noite desta segunda-feira (29).

A audiência foi o 5º painel do ciclo de debates Agenda Desafio 2009-2015 – Recursos Humanos para Inovação e Competitividade, proposta pelo presidente da Comissão, senador Fernando Collor (PTB-AL). O painel teve como título “Desafios, necessidades e perspectivas na formação e capacitação de recursos humanos para exploração, refino e distribuição dos produtos existentes nas reservas petrolíferas do pré-sal”.

O primeiro a se manifestar foi o presidente da BR Distribuidora, José Lima de Andrade Neto. Ele afirmou que a metodologia utilizada pelo governo brasileiro para a formação dos recursos humanos necessários à exploração do petróleo do pré-sal é diferente da usual. Segundo ele, a partir do projeto estabelecido, o país tem procurado adequar a formação da mão de obra necessária, em tempo hábil.

Lima Neto também salientou a necessidade de se reforçar a expertise de empresas de engenharia no Brasil. Ele disse que o país já teve grandes e competentes empresas de engenharia, mas a atuação e competência dessas empresas foram diminuindo ao longo dos anos.

Em seguida falou Marcelo Taulois, diretor-presidente da Aker Solutions do Brasil, uma multinacional de origem norueguesa. Ele falou da grande dificuldade da empresa em obter mão de obra qualificada. Segundo ele, um engenheiro recém-formado leva cinco anos para ser preparado para atuar neste mercado.

A empresa, que tinha 350 funcionários em 2007, hoje conta com 850 e pretende chegar a pelo menos 1,2 mil em 2012. Taulois afirmou que 4% dos custos com funcionários da empresa no Brasil é gasto em treinamento, fato sem similar em suas filiais em outros países.

– A demanda é muito maior do que qualquer pessoa aqui imagina – sentenciou, estimando que 200 mil novos profissionais terão de ser qualificados nos próximos dois anos.

Outro problema enfatizado por Taulois diz respeito aos fornecedores. Segundo ele, a Aker Solutions do Brasil tem um grupo de 16 engenheiros para ensinar aos fornecedores – são 78 no total – como elaborar os produtos necessários à empresa, que fabrica, entre outras coisas, a máquina que fica no fundo do mar abrindo e fechando válvulas dos diversos postos explorados.

Gestores

O presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon), Luiz Fernando Santos Reis, salientou a necessidade de se formar gestores. Segundo ele, falta capacidade gerencial em todos os níveis.

De acordo com Santos Reis, o Brasil forma anualmente 23 mil engenheiros, contra 80 mil na Coreia do Sul e 200 mil na India. Enquanto no Brasil há seis engenheiros para cada grupo de 100 mil habitantes, a média dos países desenvolvidos se situa entre 12 e 24. Já entre os países em desenvolvimento, como o Brasil, esta média é ainda maior, situando-se entre 18 e 30 engenheiros para cada 100 mil habitantes.

O presidente do Sinicom afirmou que o Brasil irá dobrar, até 2020, o número de plataformas para exploração de petróleo, que hoje somam 171. Ele lembrou que a tecnologia da exploração do pré-sal ainda está para ser construída, lembrando que o trabalho irá se deparar com condições de temperatura e pressão ainda ignoradas.

Por fim falou o diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Nelson Narciso Filho. Ele enfatizou a atuação da agência no fomento de programas de formação de mão de obra.

De acordo com Narciso Filho, os recursos estabelecidos em lei para a formação dessa mão de obra possibilitaram o lançamento de quatro editais, que totalizaram 46 programas com tal propósito. O último edital, lançado ano passado, teve 42 propostas, das quais dez se transformaram em programas.

Desde 1999, foram ofertadas 4,3 mil bolsas de estudos, a um custo de R$ 184,3 milhões. Embora não fosse o alvo inicial do projeto, afirmou que foram feitos “investimentos maciços” em infraestrutura laboratorial, uma vez que as escolas não tinham recursos para isso. Dos 515 projetos, 504 foram aplicados em investimento laboratorial, a um custo de R$ 1,36 bilhão. Outros 264 milhões foram utilizados no Programa de Mobilização da Indústria do Petróleo (Prominp).

Narciso Filho enfatizou a necessidade de se fortalecer o vínculo entre academia, governo e empresas privadas, para o desenvolvimento dos recursos humanos necessários à nova fase em que entrará o Brasil, na exploração do petróleo.
Ele também enfatizou a necessidade da formação de gestores que, a seu ver, é colocada como preocupação secundária.

A necessidade do fortalecimento desse vínculo entre governo, empresas e escolas foi também assinalada pelo presidente da comissão. Fernando Collor afirmou também que, mais uma vez, um painel realizado pela comissão conclui pela carência de mão de obra especializada, notadamente na área de engenharia. Ele lamentou que, para cada 100 alunos dos cursos de engenharia, apenas 30 chegam ao final do curso habilitados para exercerem algum trabalho. O senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) disse que o painel desta segunda-feira foi “um grande alerta à sociedade brasileira”.

Fonte: José Paulo Tupynambá / Agência Senado

Fonte: http://redepetrobrasil.org.br

A chegada de Gilmau Mente ao inferno

Obra-prima do Poeta Popular Crispiniano Neto, tratando do julgamento de Gilmar Mendes, no inferno!

CORDEL: A chegada de Gilmau Mente ao inferno em carne e osso
1
Na onda da excomunhão
De uma vítima do mal,
Uma inocente estuprada
Que fez aborto legal,
A CPT resolveu
Excomungar o fariseu
Do Supremo Tribunal.
2

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Foi aí que os cristãos
Que defendem a igualdade,
A liberdade, a justiça,
A paz e a fraternidade
Viram que o certo é tirar
Da comunhão e do altar
Quem vive a fazer maldade!
3
Em vez de excomungar
Um médico que salva vida,
A mãe que defende a filha
E a criança agredida,
É melhor mandar por inferno
Algum fariseu moderno
Que odeia a classe oprimida!
4
Por exemplo, “Gilmau Mente”
Que ao Sinédrio comanda,
Que agora contra os Sem-Terra
Igual a jagunço anda:
O fuzil da lei em punho
Procurando um testemunho
Pra lascar Sem-Terra em banda!
5
Mas eis que se reuniram
Cristãos revolucionários,
Os profetas e o povão,
Teólogos e operários
Para julgar os pecados,
Do carrasco dos lascados,
Protetor dos salafrários.
6
Neste tribunal sentaram-se
Frei Betto, Dom Balduino,
O Frei Leonardo Boff
E o Dom Pelé, nordestino,
Irmã Ivone Gebara
Pra julgar, da peça rara,
Qual o seu novo destino.
7

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Padre Luis Couto esteve
Com Reginaldo Veloso
Analisando “Gilmau”
No seu jeitão mafioso,
Pra saber se o tal ministro
O direitoso sinistro
Era um ‘deus’ ou um tinhoso!
8
Quando eles pegaram a ficha
Do réu, rei de um tribunal,
Leram a reportagem que
Tem na Carta Capital
Viram que era duro o teste:
Mandar pra mansão celeste
Ou pra profunda infernal?
9
E começaram a fazer
Perguntas ao sinistrão.
Primeiro: por que morreu
Com balas de “trezoitão”
Andréia Paula Pedroso
Por ser contra um m afioso
Prefeito que é seu irmão…!
10
E por que participou
Da campanha eleitoral
De um irmão quando já era
“Advogado Geral”
E quatro anos à frente
Se já era presidente
Do Supremo Tribunal.
11
Perguntaram-lhe também
Qual a relação, enfim,
Com donos do frigorífico
Chamado “Grupo Bertin”
Por ser cartel condenado,
E com matadouro instalado
Na terra do irmão ruim?
12
Em seguida perguntaram
Por que não licitação
Para que o seu instituto
Ganhasse tanto milhão
Com contrato suspeitoso
Quando F.H. Cardoso
Governava essa nação?
13
E perguntaram também:
Pode explicar, seu moço,
Porque sua faculdade
Tem filé em vez de osso?
Pois o prefeitão/irmão,
Transformou tributação
Em bolsas que enchem seu bolso?
14
Outro perguntou, mostrando
Até um pouco de ânsia:
Por que mais de 30 ações
Contra o ódio e a ganância
Do prefeitão seu irmão
Morrem por inanição
Antes da primeira instância?
15
Aí outro perguntou
Ao ministro-presidente
Porque Daniel Dantas disse:
“Lá por cima é com a gente…”
E logo viu-se o “orelhão”
Co’os habeas corpus na mão,
Desavergonhadamente!
16

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E por que foi que o segundo
Habeas corpus do banqueiro
Saiu depois que a TV
Mostrou pra o Brasil inteiro
Um dos jagunços do chefe
Tentando comprar um PF
Com um saco de dinheiro?
17
E por que se empenhou tanto,
Com instinto de Caim
Pra tirar Paulo Lacerda
Do comando da ABIN?
E por que nunca provou
Que a ABIN lhe grampeou
Quem está mentindo, enfim?
18
Perguntaram-lhe também:
Responda rapidamente
Onde uma Suprema Corte
Concede ao mesmo “cliente”
Dois hábeas corpus fuleiros
Fabricados bem lige iros
Igual a cachorro-quente
19
Perguntaram-lhe também
Em qual país, finalmente,
Onde um poder se intromete
No outro cinicamente
Procurando ameaçar
Dizendo que vai chamar
“Às falas”, o presidente!
20
E como um advogado
Geral da própria União
Por incompetência perde
No tribunal, uma questão,
Esperneia a repetir
Que ninguém cumprir
Da Justiça, a decisão!
21
Quem diabo é Mário Chaer,
De consultor um Dublê?
Que é que sua empresa tem
A ver com a BrT?
E porque a AGU
Repassou tanto tutu
Para o seu IDP?
22
Perguntaram se mantinha
O seu dizer tão grosseiro
Chamando de manicômio
O Jurídico brasileiro
E porque seu voto às tontas
Contra investigar-se contas
De Maluf, no estrangeiro?

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23
Mas além de responder
Às perguntas dos jurados
O juiz fora-da-lei
Jurou deixá-los calados

Censurando a todo gás
Noticiários, jornais,
Fossem escritos ou falados…
24
Então viram que Gilmau,
É a própria encarnação
Das entranhas do poder
Dos Ravengars em ação
Que em cinco séculos de história
Rasgaram o livro da glória
Da memória da nação.
25
Que ele é fruto da corja
Dos primeiros degredados,
Dos invasores das naus,
Os de batina e os fardados
Que com a cruz e a espada
Deixaram a pátria estuprada
E os índios assassinados.
26
Tem gens dos capitães-mores
Das tristes capitanias,
Da extorsão extrativista,
Do esbulho das sesmarias,
Do látego no preto rosto,
Da sonegação de imposto,
Das ditaduras sombrias.
27
Que ele é a cara trágica
Da “derrama” e do Sivam,
Do Finor e do Proer,
Da Sudene e da Sudam,
Daslu, Gautama e Navalha,
De toda aquela canalha
Do Marka e Fontecidam.

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28
Foi aí que o Tribunal
Viu o perigo do moço…
Viu que o prato era indigesto,
Pura carne de pescoço
E decidiu com durezas
Mandá-lo pras profundezas
Do inferno em carne e osso!
29
Foi feita a excomunhão
Para acabar o chamego,
Pegaram vela, água benta,
Dente agudo de morcego,
Cachaça, veneno e lama
E foram fazer no Gama,
A “Sessão de Descarrego”.
30
Quando a sessão terminou
Estavam todos suados…
Logo o maldito chegou
Aos pés dos cães graduados…
Mas o Conselho Infernal
Achou “Gilmau” muito mal
Quando julgou seus pecados
31
Lúcifer tomou a frente
E com gesto varonil
Disse: o Brasil tá feliz;
Devolva-se este imbecil…
Reencarne alma perdida,
Vá infernizar a vida
Dos bons cristãos do Brasil!
32
Por isso “Gilmau” voltou;
E por isso hoje sofremos…
Da barca do Satanás,
Ele é quem comanda os remos
Dando as cartas, de verdade,
Pra tudo quanto é maldade
Dos tucanos e dos demos…

CPI da Petrobras. Causas e consequências

Paulo Henrique Amorim

Paulo Henrique Amorim

Por que o PSDB quer a CPI?
É para privatizar o pré-sal

16/maio/2009 11:25

Essa bandeira já derrotou muito tucano

A bandeira da campanha do Serra: o petróleo é vosso!

Saiu na Folha Online:

15/05/2009 – 13h35
Lula ataca PSDB por CPI da Petrobras e critica falta de patriotismo

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Atualizado às 13h57.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva partiu para o ataque contra os senadores do PSDB, que conseguiram criar hoje a CPI da Petrobras. Lula disse que não se intromete em assuntos do Congresso, mas afirmou que essa investigação foi articulada pelo PSDB.

“O governo não se intromete na atuação do Congresso Nacional, respeita a autonomia do Congresso, mas essa é uma CPI que não é do Congresso. É muito mais do PSDB”, disse ele hoje na Base Aérea de Brasília antes de embarcar para a Arábia Saudita.

O presidente atrelou a criação da CPI à crise econômica internacional e afirmou que era pouco patriótico fazer esse tipo de investigação no atual cenário. “Num momento de crise internacional, levantar uma CPI contra a Petrobras é ser pouco patriota, pouco responsável pelo país.”

O presidente afirmou que não acredita na existência de irregularidades na Petrobras que precisem ser investigadas. “O país não pode viver uma eterna CPI porque há outros meios de investigação.”

Os tucanos querem desmoralizar e desestabilizar a maior empresa brasileira para servir a seus patrões: os privatizadores. Fernando Henrique abriu a exploração aos grupos estrangeiros na esperança de destruir a Petrobrás e vendê-la. Fernando Henrique era a favor da privatização da Petrobrás. Ele e aquele que ele chama de “brilhante”, Daniel Dantas.

Daniel Dantas recebeu de Antonio Carlos Magalhães a incumbência de estudar a privatização da Petrobrás como forma de o PFL contribuir com o governo que se iniciava, o de Fernando Henrique Cardoso.

Como primeiro passo do marketing de privatização da Petrobrás, os cérebros que cercavam Fernando Henrique iam mudar o nome da empresa para “Petrobrax”, marca evidentemente mais globalizada…O sufixo “bras” provocava comichão em Fernando Henrique, que, em entrevista à Revista Piauí, qualificou a solenidade do 7 de Setembro de “uma palhaçada” (ele deve comemorar o 4, o 9 ou o 14 de Julho, em silêncio).

Na superfície, os senadores tucanos querem a CPI para salvar o mandato. O objetivo, porém, corre em águas profundas.

O que os tucanos querem é impedir que se crie uma nova agência estatal para administrar o pré-sal e, como na Noruega, através de um fundo de investimento, transferir os recursos para a educação.

Os tucanos, como os seus antecessores do PiG (*) fora do PiG (*), Assis Chateaubriand e Roberto Campos, estão a serviço do capital estrangeiro.

Tomara que a ministra Dilma Rousseff e o presidente Lula, nos palanques da campanha de 2010, digam assim, com todas as letras: o Serra vai privatizar a Petrobrás.

Paulo Henrique Amorim

Leia também:

Senado quer a CPI da Petrobrás. Que crime cometeu a Petrobrás?

(*) PiG: A Folha, o Globo e o Estadão, suas agências de informação e, sobretudo, a Rede Globo compõem o PiG.  Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Fonte: www2.paulohenriqueamorim.com.br

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Luis Nassif

Luis Nassif

16/05/2009 – 10:10

Uma CPI que envergonha

Coluna Econômica – 15/05/2009

Em seus tempos de oposição, o PT se valia do instrumento das CPIs para tentar desestabilizar o governo, especialmente depois que a desvalorização cambial liquidou com a blindagem política de Fernando Henrique Cardoso.

Lula eleito, PT no poder, o último partido a se integrar ao jogo político, pensava-se que se chegaria à maturidade. Ledo engano. O que o PSDB está aprontando com sucessivos pedidos de CPI envergonham o jogo político. Essa CPI da Petrobrás servirá apenas para atrapalhar a empresa, em um momento em que anuncia investimentos no pré-sal que correspondem a um quarto de todo o investimento do governo chinês para recuperar a economia chinesa.

***

A Petrobrás seguiu uma estratégia tributária legítima, a partir de uma Medida Provisória editada em 1999, logo após a maxidesvalorização do real.

Imagine uma operação de câmbio de dois anos, contratada no primeiro semestre do ano passado. Começa com um câmbio a R$ 1,60. Em dezembro, o câmbio vai a R$ 2,30, mas a operação continua, só será liquidada muito tempo depois. Hoje, essa mesma operação seria registrada com o câmbio a R$ 2,10. Daqui a alguns meses poderá estar a R$ 2,30 ou R$ 1,80.
Enquanto não liquida a operação, a empresa não sabe se ganhou ou perdeu.

O mesmo acontece com investimentos no exterior. Se a empresa tem ativos no exterior (fábricas, investimentos) o valor do investimento é convertido em reais, pela cotação de fechamento do câmbio. Se o câmbio se desvaloriza, digamos, 20%, o valor dos ativos será declarado por 20% a mais, em reais. A operação continuou a mesma, a geração de caixa a mesma, mas para efeito de balanço, parecia que a empresa teve um lucro equivalente ao aumento de 20% de seus ativos.

***

A MP editada em 1999, depois ratificada em 2001 – em pleno governo FHC – visava justamente desonerar as empresas de ganhos não reais, artificiais. Ela permitia às empresas optarem no balanço pelo conceito de competência ou de caixa – o de caixa mede apenas o que entra ou sai efetivamente do caixa.

***

Aí entram as interpretações discrepantes. A Receita diz que a opção deve ser no início do exercício fiscal – no caso, 1o de janeiro de 2008. Uma linha de tributaristas julga que pode-se fazer a opção no final do exercício, por uma razão muito simples. Se a opção é para evitar impactos artificiais do câmbio, como é que no início do ano vai-se saber o que ocorrerá com o câmbio no decorrer do ano?

Há várias instâncias de discussão, no âmbito do Conselho dos Contribuintes, da Justiça, em suas diversas instâncias. Como tantas discussões fiscais que ocorrem entre empresas e Fisco.

***

Outro ponto de manipulação do noticiário foi o de que o total de redução do imposto pago chegou a R$ 4 bi. Não é verdade. Desse total, R$ 2 bilhões se referem a juros sobre capital (uma remuneração sobre o capital próprio que pode ser abatido dos resultados.

Como a Petrobrás tem passivos e ativos em dólares, a conta final chega a R$ 1 bi. Jamais a R$ 4 bi.

Em qualquer hipótese, não poderia servir de álibi a uma CPI que visa apenas prejudicar o país, em nome de interesses políticos menores.

Fonte: colunistas.ig.com.br/luisnassif/

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Luis Nassif

Luis Nassif

16/05/2009 – 10:29

CPI: uma questão de negócios

Juntando as peças:

1. A constatação do professor Ronaldo Bicalho é definitiva. Aqui está a explicação para essa CPI sem pé nem cabeça:

Ao intento óbvio de se criar dificuldade para o governo Lula, soma-se a clara manobra de enfraquecer a posição da empresa na negociação do novo marco regulatório para o pré-sal.

2. Depois lembrem-se que quem está na outra ponta, tentando assumir a criação e o controle da Petrosal é o senador Edison Lobão, afilhado do presidente do Senado José Sarney.

3. Finalmente, analise o papel de Sarney nesse jogo. Ou dos grupos brasileiros que entraram nessa área de prospecção e têm ampla influência, especialmente sobre a mídia carioca.

Do Portal Luís Nassif

Do Blog do Ronaldo Bicalho

A CPI da Petrobras e a irresponsabilidade sem limite

Colocar a maior empresa brasileira ao sabor das veleidades político-midiáticas em um momento de profunda crise econômica mundial caracteriza um tipo de comportamento que não tem nenhum outro compromisso que não seja alcançar o poder a qualquer custo.

Em um momento em que a empresa procura mobilizar todos os seus recursos para enfrentar os desafios da exploração do pré-sal, em um contexto econômico extremamente desfavorável, inserindo-se em um grande esforço de política anticíclica, criar uma CPI no Senado Federal tem como único objetivo inviabilizar qualquer tentativa de construir uma agenda positiva para o país.

Considerando o peso que os papéis da Petrobras têm no mercado de capitais brasileiro, as possibilidades para todo o tipo de manipulações a partir de vazamentos selecionados, boatos infundados, até mesmo da simples chantagem para auferir vantagens ilícitas, não têm limites.

Ao intento óbvio de se criar dificuldade para o governo Lula, soma-se a clara manobra de enfraquecer a posição da empresa na negociação do novo marco regulatório para o pré-sal. (continua)

Comentário

O grupo de Sarney, através de Edison Lobão, está tentando emplacar e assumir o domínio da nova empresa que surgirá, a tal Petrosal. Como foi o comportamento do Sanry em relação a esta CPI?

Do Estadão

Para evitar se desgastar, Sarney deu aval a tucanos

Presidente do Congresso avisou Planalto que não impediria oposição

Christiane Samarco e Eugênia Lopes

O desfecho da sessão de ontem, no Senado, quando foi criada a CPI da Petrobrás, teve o aval explícito do presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP). Mas se Sarney é o “pai” do fato consumado, a “mãe” é briga política entre PSDB e DEM, destravada com a decisão dos democratas de apoiar o ex-presidente para o comando do Senado, em fevereiro.

A rusga na oposição cresceu com o debate interno sobre a criação da CPI da Petrobrás: o DEM, liderado pelo senador Agripino Maia (RN), é majoritariamente contra a instalação imediata da comissão, enquanto a maioria dos tucanos tem pressa de abrir a investigação. “A maioria da minha bancada tem posição mais cautelosa de ouvir o presidente da Petrobrás primeiro”, explica Agripino.

Não foi por acaso que Sarney deu sinal verde a seu primeiro-vice, senador Marconi Perillo (PSDB-GO), para que assumisse a presidência da sessão e fizesse a leitura do requerimento da CPI. Como presidente, Sarney seria o único que poderia tirar o vice da cadeira e impedir a leitura. Consultado por telefone, ele não só garantiu a Perillo que não iria ao Senado, como acrescentou que o tucano tinha legitimidade para proceder a leitura. Mais que isso: contou que avisara ao Planalto, na véspera, que não se desgastaria em um duelo com a oposição para evitar a CPI. (continua)

Por Ronaldo Bicalho

Nassif,

O posicionamento do senador José Sarney é o mais óbvio nesse jogo. Usar o controle do desenvolvimento de uma CPI para conseguir vantagens junto ao planalto é prática corriqueira do PMDB governista. E isto também vale para qualquer votação importante no parlamento. Esta é a parte mais visível do jogo, contudo não é a mais importante a desvendar.

(…) Dessa forma, colocar o foco sobre as armações costumeiras do PMDB ou sobre a perda de rumo do PSDB esconde os atores decisivos desta trama. Na verdade, tanto um quanto outro são fichinhas diante daqueles que realmente bancam o jogo.

Pode-se reduzir esse evento a nossa novelinha política e seus tradicionais personagens canastrões, porém, o problema dessa solução é que o programa é outro e inclusive passa em outro horário e em outro canal. (íntegra nos comentários).

Fonte: colunistas.ig.com.br/luisnassif/

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Os tucanos querem privatizar a “PetroBrax” e o pré-sal

Senadores que querem privatizar a Petrobras

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Paulo Henrique Amorim

Paulo Henrique Amorim

O que FHC fez para privatizar a Petrobras. A CPI quer fazer o que falta

19/maio/2009 8:34

Os tucanos querem sujar a mão na grana do pré-sal

Os tucanos querem

sujar a mão

na grana do pré-sal

. FHC, o Farol de Alexandria, aquele que iluminava a Antiguidade, fez o seguinte para privatizar a Petrobras:

. Aparelhou o Conselho de Administração da Petrobras e substituiu seis conselheiros por prepostos da iniciativa privada e de empresas internacionais de petróleo.

. O objetivo era cortar na carne da empresa, demitir, reduzir investimentos e demonstrar que a Petrobras não tinha competência  para administrar o monopólio da União.

. Um presidente, do período FHC, Francisco Gros, disse logo após a posse que a Petrobras passaria de empresa estatal a empresa privada de capital internacional.

. Dividiu a Petrobras em 40 subsidiárias, para privatizá-las, uma a uma.

. A privatização começaria com a Refinaria Alberto Pasqualini (*) no Rio Grande do Sul.

. Vendeu 36% das ações da Petrobras na Bolsa de Nova York por menos de 10% de seu valor real.

. Aprovou a Lei 9478/97 que contraria a Constituição e concede o petróleo – que deve ser da União – a quem o produz.

. Mudou o nome da Petrobras para Petrobrax, para vendê-la melhor nos países de língua inglesa.

Em tempo: os dados deste post foram extraídos de uma entrevista de Fernando Siqueira, presidente da Associação dos Engenheiro da Petrobras, ao Correio da Cidadania, de 20/jan/2009.

(*) Por falar neste grande líder trabalhista gaúcho, Alberto Pasqualini, vale lembrar, como fez o Azenha, a Carta Testamento de Vargas, quando diz: “A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobras, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculizada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente.”

Fonte: www2.paulohenriqueamorim.com.br

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Fernando Siqueira: a desmoralização da Petrobras

19/maio/2009 10:34

Por sugestão do amigo navegante Marco, o Conversa Afiada disponibiliza a entrevista de Fernando Siqueira feita para o programa Faixa Livre, em 18 de maio de 2009.

Siqueira é presidente da AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobras) e, nesse programa, fala sobre os argumentos utilizados para a desmoralização da Petrobras (desde a época de FHC) e a pressão do lobby das multinacionais.

Clique aqui para ouvir a entrevista.

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PHA disse: Enviado ao Conversa Afiada pelo navegante Laet Luis Gaspar Meneses Lima de Oliveira:

Uma contribuição do navegante René Amaral:

Por sugestão do navegante Lucas:

O Corinthians e o preconceito contra Lula

Fonte: O Escrevinhador

Foi o leitor Plínio Teodoro quem me enviou o artigo de Marcelo Carneiro da Cunha, que reproduzo abaixo. Não conheço pessoalmente o autor. Mas concordo com quase tudo que ele diz – especialmente no que se refere a torcer pelo Corinthians…

O artigo foi escrito na semana em que Obama disse a famosa frase: “Lula é o cara”. Mas segue atual. Ainda mais depois de mais um título conquistado pelo alvi-negro, no último domingo.

LULA É O CARA

Marcelo Carneiro da Cunha

É dura a vida de colunista e escritor. Não adianta eu falar, insistir, berrar aqui nesse espaço ou onde mais me deixarem à solta. Tem que vir o Obama pra dizer em alto e bom inglês que o Lula é o cara, Lula is the man, e aí sim, a imprensa repete aos milhões, o Fernando Henrique tem um choque anafilático de tanta inveja e todo mundo cai na real.

Isso não significa que eu não tenha críticas ao Lula ou ao partido. Minha relação com eles é mais ou menos a que eu mantenho com as mulheres: gostaria que fossem muito diferentes, mas, olhem só as alternativas! Vivemos em um mundo real, com defeitos reais, consequências infelizes da nossa humanidade. Compreender esse mundo e governar para ele, tentando ao mesmo tempo torná-lo melhor, com direito a alguma quantidade de sonho, é o que diferencia um político competente de um estadista. E Lula é um estadista, o maior que já tivemos.

Eu acho que boa parte desse preconceito contra o Lula é preconceito mesmo, do ruim. Olhem o que eu ouvi ontem mesmo de uma moradora de um bairro nobre daqui. Ela explicou que não torce para o Corinthians, porque, afinal “tenho todos os meus dentes e conheço o meu pai”. Uffff.

Lula, por exemplo, que mal conheceu o pai, na infância, e não sei quanto aos dentes, mas sei quanto aos dedos, torce para o Corinthians. E eleger o Lula foi um momento sublime para os brasileiros porque ele representou a nossa aceitação de nós mesmos por nós mesmos, condição essencial para uma nação ser algo maior do que um mero país. Eleito, Lula nos libertou e o Brasil deu o salto que todos vivem, mesmo que não queiram ver.

Na América Latina, e eu leio a imprensa dos nossos vizinhos, Lula é idolatrado como um grande líder nacional, que ama seu povo e se dedica a defender os seus interesses, ao mesmo tempo em que tenta sinceramente ajudar e integrar os que nos rodeiam. Somos admirados por que passamos a nos levar a sério e deixamos de puxar o saco do primeiro mundo, como fazia o nosso pomposo FHC. Barramos espanhóis (inocentes, claro) na fronteira exigindo tratamento decente aos nossos viajantes que entram na Europa. Lula não tem medo de ninguém e exige estar no G-20, mas junto com o G-8, ou onde quer que se decida alguma coisa.

Lula ajudou Chávez a sobreviver e hoje o enche de elogios, enquanto sabota seus piores planos e ajuda o Brasil a vender e ganhar muito com a Venezuela. Garantiu o empate na quase guerra de araque entre Colômbia e Equador, fazendo o Brasil atuar como o líder que tem que ser. Lula abriu agências da Embrapa em países africanos, onde nossa biotecnologia tropical vai ajudar a combater a fome e criar uma agricultura moderna. Ele também decidiu que não vamos exportar petróleo do pré-sal, coisa de país atrasado, e sim derivados com alto valor agregado. Isso não é lá visão geopolítica e estratégica? Viajou aos países árabes, nunca antes assunto para nossos governantes e criou laços que hoje se transformam em comércio, bom para todos.

Aqui dentro, já que o Brasil também é assunto, manteve sim a política econômica anterior, mas lhe deu a direção social que faltava. E se alguém acha que isso foi coisa pouca, imaginem as pressões que Lula sofreu, às quais teve que resistir, enquanto a Argentina, aqui ao lado, experimentava heterodoxias com o Kirchner e crescia 10% ao ano. Imaginem o que foi para um ex-torneiro mecânico peitar toda a suposta elite econômica instalada nos principais veículos de comunicação, que tentavam dizer a ele para onde apontar o nariz e que aprendesse a obedecer ou o mundo iria cair, culpa dele. Quem resiste a tudo e segue firme no caminho em que acredita é um líder. L-Í-D-E-R. Acerta e erra, mas lidera.

O maior mérito do Brasil de hoje é nosso, do povo brasileiro. Fomos nós que soubemos mudar, acabar com o PFL, optar pelo moderno e, por isso, hoje nosso destino se divide entre dois partidos e projetos viáveis, PSDB e PT. Se os dois são viáveis, o PT é mais generoso, e por isso a minha escolha.

Provavelmente seguiremos crescendo e nos afirmando como nação moderna e emergente, capaz de alimentar a si e ao mundo, o que para mim já está uma beleza, obrigado. Mas, alguém aí ousa comparar o Lula a gente um tanto insípida, inodora e incolor, como Aécio, Serra e mesmo a Dilma? Vamos talvez seguir rumo à prosperidade, mas de um jeito tão mais sem graça. Vocês conseguem imaginar algum desses nomes acima fazendo a frase sobre “banqueiros brancos e de olhos azuis, que achavam que sabiam tudo de economia” que hoje é repetida no mundo inteiro?

Lula, para mim, representa o fim do enorme desperdício que nosso país sempre praticou, ao ignorar a humanidade e inteligência do seu povo, acusando-o de ser pouco escolarizado. Eu tenho o privilégio de, de tempos em tempos, encontrar com leitores de grupos de EJA (Educação de Jovens e Adultos), na prática turmas de pedreiros, domésticas, carpinteiros, eletricistas; gente que deixou a escola quando criança e voltou agora, para aprender, inclusive, a ler. E ser lido por essas pessoas é uma enorme honra para um escritor que gosta de ser lido. E eles leem como ninguém, minha gente. Com uma garra e encantamento de arrepiar. E raramente têm a chance de trazer essa visão absoluta do mundo, essa experiência toda a para vida do nosso país. Lula, prezados leitores, fez e faz exatamente isso.

Eu conheço meu ilustre pai, para o bem ou para o mal, tenho praticamente todos os dentes e certamente todos os dedos, o que me coloca em uma camada, digamos, privilegiada, no Brasil. Mas, mesmo que não seja exatamente a minha cara, Lula consegue ser a cara brasileira da minha alma, de tantas outras almas de nosso país e, por isso mesmo, ele é, tem sido e vai ser o cara. O Cara, a nossa cara.

Pelo que eu conheço do mundo, essa coluna vai atrair toda uma desgraceira pra cima desse colunista. Pois, muito bem, que venha. Esperar menos do que isso, estar menos preparado do que estou para combater o que vier, seria um desrespeito desse cidadão agradecido aqui, ao seu presidente, a quem tanto admiro e por quem tenho mais é que brigar mesmo. Podem vir, serão todos bem recebidos, e vamos em frente, nós e o Cara, fazer o debate e o país de que tanto precisamos.

Dizer “Esse é o cara” afirma a negritude do Obama e sua admiração por Lula. Vivemos melhor em um mundo assim, de aceitações, reconhecimentos, sinceridades. Se eles, que são políticos, podem, então a gente pode tudo, até mesmo torcer para o Corinthians, imagino, nesse admirável mundo novo que o século 21 nos traz.

Marcelo Carneiro da Cunha é escritor e jornalista

Fonte: O Escrevinhador

MST versus jagunços de banqueiro condenado

Vi algumas reportagens da TV Globo sobre o conflito entre militante do MST e jagunços numa fazenda do banqueiro condenado Daniel Dantas, e de cara achei que a narração não casava muito bem com as imagens. A reportagem fala de jornalistas como escudo humano, de troca de tiros entre os dois lados, de jornalistas e pessoas presas na fazenda, impedidas de sair, por causa dos sem terra. Nada disso, bate exatamente com as imagens mostradas. Só analisando as imagens, a impressão que ficou foi de uma reportagem tendenciosa, especialmente pela falta de críticas a ação violenta dos jagunços, e também um pouco mentirosa.

  • Veja os vídeos abaixo.

  • Abaixo, matéria do Jornal Nacional, versão menos pior, entre todas as mostradas pela Globo, mas que mesmo assim, está longe de ser boa

  • Qualquer criatura normal percebe que há algo errado com a reportagem, apenas vendo as imagens.

Minha impressão(considerando que sou um criatura normal, normal com um margem de tolerância alta) foi:

“Me parece que 9 pessoas saíram feridas, sendo 8 do MST e um jagunço de Daniel Dantas. Pelas imagens, me pareceu também que os jornalistas estavam relativamente(dentro dos limites que o contexto permitia) protegidos atrás de caminhonetes e dos jagunços de Daniel Dantas. Jagunços estes que portavam muitas armas, algumas de grosso calibre e que pelas imagens, atiraram para matar. Não vi armas nas mãos dos sem terra, mas se existiam, estes estavam muito em desvantagem. Achei até meio suicida a atitude deles. Realmente não entendi a questão dos jornalistas como escudos humanos.”

Meus questionamentos vêm apenas das imagens, não sabia a versão do MST, não havia lido comentários/críticas sobre o assunto.

  • Logo depois, encontrei a versão do MST no portal de Paulo Henrique Amorin, neste link: http://www2.paulohenriqueamorim.com.br/?p=9494. Me pareceu muito mais crível, a versão deles. Principalmente devido as imagens veiculadas pela própria Globo.
  • Suspeitava que o fundo do poço havia chegado. Mas não, eu estava enganado. O fundo do posso, suponho, é o que está logo abaixo. Vejam esta nota:

A Associação Nacional de Jornais – ANJ – repudia com veemência a ação criminosa de integrantes do Movimento dos Sem-Terra  – MST – do Pará, no sábado, dia 18, que mantiveram quatro jornalistas como reféns e os usaram como escudos humanos no enfrentamento com seguranças da Fazenda Castanhais, em Xinguara.

É injustificável e condenável sob todos os aspectos que se atente dessa forma contra a integridade física das pessoas, num revoltante descaso com a vida humana. Além disso, os integrantes do MST atentaram contra o livre exercício do jornalismo, aterrorizando profissionais que cobriam o evento com objetivo de informar à sociedade. Felizmente, ninguém saiu fisicamente ferido dessa ação criminosa.

A ANJ espera que as autoridades do Pará cumpram com sua obrigação, investigando com rapidez e eficiência o crime cometido contra os jornalistas e a sociedade, identificando seus autores e levando o caso à Justiça, para a devida punição. A democracia é o regime da ordem, do respeito à vida humana e da valorização da liberdade.”

Fonte: ANJ

  • Como dá para perceber claramente, a associação toma partido de forma veemente, reafirmando as acusações citadas nas reportagens da Globo, só que de forma mais incisiva. Além disto cobra providências imediatas contra os sem terras devidos aos supostos crimes cometidos, que na nota são claros e incontestáveis.
  • O problema é que a reportagem da Globo aparentemente está cheia de inverdades, pois o mais provável é que o MST tenha sido vítima e não algoz, logo, todos os fatos destacados na nota da ANJ são aparentemente falsos.

A ANJ, segundo o nome indica, representa todos os jornais brasileiros, por isto a nota acima dá nojo de ler. Neste exato momento estou sentindo um incômodo nas entranhas apenas por ter colado ela aqui. Imagino se eu fosse jornalista, o que sentiria.

Meu nojo pela nota da ANJ ficou ainda maior, depois de ler o seguinte texto publicado no portal de Paulo Henrique Amorin.

MST/Dantas: repórter da Globo desmente versão da Globo sobre cárcere privado

28/abril/2009 9:07

O Conversa Afiada recebeu de uma amiga navegante (muito inteligente, por sinal e que, por isso, evita assistir ao jornal nacional, ao Bom (?) Dia Brail e ao patibular William Waack, para não se sentir em cárcere privado:

Repórter da Globo desmente versão de cárcere privado
27/04/2009

Por Max Costa*

Vitor Haor, repórter da TV Liberal – afiliada da TV Globo -, depôs ao delegado de Polícia de Interior do Estado do Pará e, em seu depoimento, negou que os profissionais do jornalismo tenham sido usados como “escudo humano” pelos Sem Terra, bem como desmentiu a versão – propagada pela Liberal, Globo e outras emissoras – de que teriam ficado em cárcere privado, durante conflito na fazenda Santa Bárbara, em Xinguara.

Está de parabéns o repórter – um trabalhador que foi obrigado a cumprir uma pauta recomendada, mas que não aceitou mais compactuar com essa farsa. Talvez tenha lhe voltado a mente o horror presenciado pela repórter Marisa Romão, que em 1996 foi testemunha ocular do Massacre de Eldorado dos Carajás e não aceitou participar da farsa montada pelos latifundiários e por Almir Gabriel, vivendo desde então sob ameaças de morte.

A consciência deve ter pesado, ou o peso de um falso testemunho deva ter influenciado. O certo é que Haor não aceitou participar até o fim de uma pauta encomendada, tal quais os milhares de crimes que são encomendados no interior do Pará. Uma pauta que mostra a pistolagem eletrônica praticada por alguns veículos de comunicação e que temos o dever de denunciar.

Desde o início, a história estava mal contada. Um novo conflito agrário no interior do Pará, em que profissionais do jornalismo teriam sido usados como escudo humano pelo MST e mantidos em cárcere privado pelo movimento, em uma propriedade rural, cujo dono dificilmente tinha seu nome revelado. Quem conhecia e acompanhava um pouco da história desse conflito sabia que isso se tratava de uma farsa. A população, por sua vez, apesar de aceitar a criminalização do MST pela mídia e criticar a ação do movimento, via que a história estava mal contada.

As perguntas principais eram: como o cinegrafista, utilizado como “escudo humano” – considero aqui a expressão em seu real sentido e significados -, teria conseguido filmar todas as imagens? Como aconteceu essa troca de tiros, se as imagens mostravam apenas os “capangas” de Daniel Dantas atirando? Como as equipes de reportagem tiveram acesso à fazenda se a via principal estava bloqueada pelo MST? Por que o nome de Daniel Dantas dificilmente era citado como dono da fazenda e por que as matérias não faziam uma associação entre o proprietário da fazenda e suas rapinagens?

Para completar, o que não explicavam e escondiam da população: as equipes de reportagem foram para a fazenda a convite dos proprietários e com alguns custos bancados – inclusive tendo sido transportados em uma aeronave de Daniel Dantas – como se fossem fazer aquelas típicas matérias recomendadas, tão comum em revistas de turismo, decoração, moda e Cia (isso sem falar na Veja e congêneres).

Além disso, por que a mídia considerava cárcere privado, o bloqueio de uma via? E por que o bloqueio dessa via não foi impedimento para a entrada dos jornalistas e agora teria passado a ser para a saída dos mesmos? Quer dizer então que, quando bloqueamos uma via em protesto, estamos colocando em cárcere privado, os milhares de transeuntes que teriam que passar pela mesma e que ficam horas nos engarrafamentos que causamos com nossos legítimos protestos?

Pois bem, as dúvidas eram muitas. Não apenas para quem tem contato com a militância social, mas para a população em geral, que embora alguns concordassem nas críticas da mídia ao MST, viam que a história estava mal contada. Agora, porém, essa história mal contada começa a ruir e a farsa começa a aparecer.

* Max Costa é jornalista de Belém e também membro da secretaria geral do PSOL

Clique aqui para ler o desmentido do MST: “MST desmente a Globo pela enésima vez”

Depois tudo isto, declaro em minha própria mente encerrado o caso, e julgo a rede Globo culpada de manipulação de informação, publicação de inverdades. Além disto,  reitero minha ojeriza a tal nota da ANJ (éca!).

Encerro desejando sorte ao MST. Movimento SOCIAL ao qual relativamente poucos brasileiros são simpáticos, em parte por problemas do próprio MST, em parte por problemas culturais do Brasil, mas em grande parte por causa deste tipo de cobertura que a mídia costuma fazer de suas ações (esta foi das piores, vamos ressaltar).
Neste caso, graças a internet, ficou claro para mim a verdade, mas e para aqueles que não tem acesso tão fácil a internet quanto nós, será que a verdade ficou clara? Qual será a impressão que ficou para a maioria da população?
( Obs.: não tenho nenhuma ligação com o MST. Fazendo um confissão, pelos motivos citados, sou mais um dos que nunca nutriram simpatia )

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Folha em campanha para 2010. E desaprendendo a fazer jornalismo…

Faço questão de republicar, por inteiro, o ótimo artigo abaixo, pertencente ao blog JornalismoB, por considerar muito importante que o máximo de pessoas fique a par do tipo de “jornalismo” que a Folha de São Paulo faz. Leia para seu próprio bem.

Para quem não sabe, JornalismoB é o blog dos estudante de jornalismo da UFRGS é um blog mantido por 3 estudantes de jornalismo da UFRGS.
Um abraço. Agradeço a Alexandre Haubrich por permitir que este pequeno blog/site publique os artigos do grande blog JornalismoB. 🙂

No final tem um vídeo da Record sobre as mentiras da Folha de São Paulo em relação a ditadura.

Vinicius AC

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Folha em campanha para 2010. E desaprendendo a fazer jornalismo…

6 Abril 2009

A “ditabranda” da Folha de São Paulo está dando frutos. E frutos contundentes. A capa de domingo – provavelmente a edição mais lida de todos os veículos de comunicação impressos do país na semana – trata a candidata de Lula como uma criminosa. Não falo aqui de subjetividades. A coisa é tão forte que já se tornou uma agressão bastante objetiva.

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“Grupo de Dilma planejou o sequestro de Delfim Netto”, é o título. Ou seja, ela era criminosa, certo? Não importa dizer em seguida que a atual ministra-chefe da Casa Civil diz não saber na época desses planos. O texto todo se contrói de forma a transformar Dilma Rousseff em uma verdadeira criminosa, mentirosa, agressiva, ambiciosa. O início da matéria é muito significativo. O primeiro parágrafo trata Dilma por Luiza, para depois explicar que esse era um codinome da guerrilheira. Mostra Luiza como uma ex-estudante que prefere montar um fuzil a estudar, que abandonara a faculdade e se dedica a uma luta sangrenta, e dá a entender – não afirma explicitamente, até porque nem poderia, mas deixa claro – que a menina de 22 anos sabia dos planos de sequestro. Sequestro, aliás, “de Delfim Netto, símbolo do milagre econômico e civil mais poderoso do governo federal”. Não bastasse criticar Dilma tão enfaticamente, a Folha louva Delfim Netto e a ditadura militar, como já vem se tornando hábito do jornal, vide o episódio “Ditabranda”.

O segundo parágrafo explica que Luiza na verdade é Dilma. E lista uma série de nomes usados pela ex-guerrilheira, em uma construção textual que induz o leitor a enxergar a personagem como uma mentirosa, aquela que usa diversos nomes para esconder seu rosto.

Mais adiante, cita um aliado de Dilma à época, que afirma que a ministra sabia do sequestro e, mais uma vez, a construção textual leva a crer que a contestação de Dilma à informação é mentirosa. A repercussão da matéria é ainda mais espantosa. A fonte de Fernanda Odilla, Antonio Roberto Espinosa, aliado de Dilma, afirma que foi entrevistado apenas por telefone e que as afirmações presentes na matéria decorrem de distorções dessa entrevista. Solicitou a publicação de uma carta no jornal – o que ainda não foi feito – esclarecendo o caso e desfazendo a mentira da Folha de S.Paulo. Um trecho de sua carta diz: “Afirmo publicamente que os editores da Folha transformaram um não-fato de 40 anos atrás (o seqüestro que não houve de Delfim) num factóide do presente (iniciando uma forma sórdida de anticampanha contra a Ministra)”. Em seguida, esclareceu cada ponto da matéria mentirosa. Vale a pena a leitura, não discorro sobre todos os itens por falta de espaço. Está AQUI.

No intertítulo da matéria fraudulenta, mais insinuações negativas a respeito da possível sucessora de Lula. A repórter Fernanda Odilla – se é que se pode chamar de repórter quem escreve um texto desses, absolutamente mentiroso – relata o esbanjamento de Dilma ao cortar o cabelo em um salão chique – “que servia champanhe aos clientes” – com o dinheiro do “assalto ao cofre do ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros”. Olha como eles são ladrões e hipócritas, faltava ela dizer.

Os planos do sequestro em si ficaram para o fim do texto. Claro, o suposto fato desenterrado agora é só um pretexto para desconstruir a imagem de Dilma. Começou – há algum tempo já, mas agora de forma mais agressiva – a campanha da Folha pela candidatura de Serra, para levar o PSDB ao Planalto em 2010.

A mesma Fernanda Odilla entrevista Dilma Rousseff na página seguinte. Ela não consegue, mas tenta o tempo inteiro desmoralizar a ministra, levá-la a admitir que a guerrilha era uma opção baixa, a assumir como um crime a sua luta contra a ditadura. Fica claro, por exemplo, na pergunta “A sra. faz algum mea-culpa pela opção pela guerrilha?”, como se Dilma devesse se envergonhar de sua resistência ao regime ditatorial. Mas Fernanda leva um cascudo da ministra por causa da atitude de seu jornal, essa posição antidemocrática e bastante direitista de dias atrás: “Por isso, minha filha, esse seu jornal não pode chamar a ditadura de ditabranda, viu? Não pode, não”. E ainda assim, a repórter continua usando de meios mesquinhos para levar Dilma a alguma contradição, citando ex-namorados, tentando fazer a ministra entregar alguém, confessar alguma atitude baixa.

Por tudo isso, peço desculpa por um post tão grande. Mas havia coisas que eu não podia simplesmente deixar passar. É preciso mostrar onde está o mau jornalismo. E mau jornalismo é fazer campanha muito antes dela ser deflagrada, e se dizendo imparcial, dizendo não ter lado. Usar as palavras de forma a induzir ao que não está dito, ao que não é verdadeiro, é péssimo jornalismo. Colocar na manchete uma afirmação não-comprovada, sem dizer que é só uma citação, é jornalismo dos mais medíocres.  Distorcer uma entrevista para conseguir um fato possivelmente inexistente é um péssimo exemplo de jornalismo. E tudo isso em um jornal que se diz “a serviço do Brasil”. Quero deixar claro aqui que a Folha está nitidamente em campanha pelo PSDB, pela candidatura de José Serra em 2010. E essa matéria é um exemplo explícito, gritante. Espinosa, a tal fonte de Fernanda Odilla, resume na carta já citada o que a repórter fez: “praticou o pior tipo de jornalismo sensacionalista, algo que envergonha a profissão que também exerço há mais de 35 anos”. Mais uma vez, sinto vergonha pelo que chamam de jornalismo no Brasil.

* Registro que o Jornalismo B lamenta a morte do jornalista e um dos líderes da resistência à ditadura militar Márcio Moreira Alves.

Postado por Cris Rodrigues

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Vídeo da Rede Record sobre as mentiras da Folha de SP: