Luís Nassif: o último suspiro de Serra

Luís Nassif: o último suspiro de Serra

Atualizado e Publicado em 18 de julho de 2009 às 23:38

18/07/2009 – 10:15

por Luís Nassif, em seu blog

Entenda melhor o que está por trás dessa escalada de CPIs, escândalos e tapiocas da mídia.

A candidatura José Serra naufragou. Seus eleitores ainda não sabem, seus aliados desconfiam, Serra está quase convencido, mas naufragou.

Política e economia têm pontos em comum. Algumas forças determinam o rumo do processo, que ganha uma dinâmica que a maioria das pessoas demora em perceber. Depois, torna-se quase impossível reverter, a não ser por alguma hecatombe – um grande escândalo.

O início da derrocada
O início da derrocada de Serra ocorreu simultaneamente com sua posse como novo governador de São Paulo. Oportunamente abordarei as razões desse fracasso.

Basicamente:

1. O estilo autoritário-centralizador e a falta de punch para a gestão. O Serra do Ministério da Saúde cedeu lugar a um político vazio, obcecado com a política rasteira. Seu tempo é utilizado para planejar maldades, utilizar a mão-de-gato para atingir adversários, jornalistas atacando colegas e adversários e sua tropa de choque atuando permanentemente para desestabilizar o governo.

2. Fechou-se a qualquer demanda da sociedade, de empresários, trabalhadores ou movimentos sociais.

3. Trocou programas e ideias pelo modo tradicional de fazer política: grandes gastos publicitários, obras viárias, intervenções suspeitíssimas no zoneamento municipal (comandado por Andrea Matarazzo), personalismo absurdo, a ponto de esconder o trabalho individual de cada secretário, uso de verbas da educação para agradar jornais. Ao contrário de Franco Montoro, apesar de ter alguns pesos-pesados em seu secretariado, só Serra aparece. Em vez de um estado-maior, passou a comandar um exército de cabos e sargentos em que só o general pode se pronunciar.

4. Abandonando qualquer veleidade de inovar na gestão, qual a marca de Serra? Perdeu a de bom gestor, perdeu a do sujeito aberto ao contato com linhas de pensamento diversas (que consolidou na Saúde), firmou a de um autoritário ameaçador (vide as pressões constantes sobre qualquer jornalista que ouse lhe fazer uma crítica).

5. No meio empresarial (indústria, construção civil), perdeu boa parte da base de apoio. O mercado o encara com um pé atrás. Setores industriais conseguem portas abertas para dialogar no governo federal, mas não são sequer recebidos no estadual. Há uma expectativa latente de guerra permanente com os movimentos sociais. Sobraram, para sua base de apoio, a mídia velha e alguns grandes grupos empresariais de São Paulo – mas que também (os grupos) vêem a candidatura Dilma Rousseff com bons olhos.

A rede de interesses
O PSDB já sabe que o único candidato capaz de surpreender na campanha é Aécio Neves. Deixou marca de boa gestão, mostrou espírito conciliador, tem-se apresentado como continuidade aprimorada do governo Lula – não como um governo de ruptura, imagem que pegou em Serra.

Será bem sucedido? Provavelmente não. Entre a herança autêntica de Lula – Dilma – e o genérico – Aécio – o eleitor ficará com o autêntico. Além disso, se Serra se tornou uma incógnita em relação ao financismo da economia, Aécio é uma certeza: com ele, voltaria com tudo o estilo Malan-Armínio de política econômica, momentaneamente derrotado pela crise global. Mas, em caso de qualquer desgaste maior da candidatura oficial, quem tem muito mais probabilidade de se beneficiar é Aécio, que representa o novo, não Serra, que passou a encarnar o velho.

Acontece que Serra tem três trunfos que estão amarrando o PSDB ao abraço de afogado com ele.

O primeiro, caixa fornida para bancar campanhas de aliados. O segundo, o controle da Executiva do partido. O terceiro, o apoio (até agora irrestrito) da mídia, que sonha com o salvador que, eleito, barrará a entrada de novos competidores no mercado.

Se desiste da candidatura, todos os que passaram a orbitar em torno dele terão trabalho redobrado para se recolocarem ante outro candidato. Os que deram apoio de primeira hora sempre terão a preferência.

Fica-se, então, nessa, de apelar para os escândalos como último recurso capaz de inverter a dinâmica descendente de sua candidatura. E aí sobressai o pior de Serra.

Ressuscitando o caso Lunus
Em 2002, por exemplo, a candidatura Roseana Sarney estava ganhando essa dinâmica de crescimento. Ganhara a simpatia da mídia, o mercado ainda não confiava em Serra. Mas não tinha consistência. Não havia uma base orgânica garantindo-a junto à mídia e ao eleitorado do centro-sul. E havia a herança Sarney.

Serra acionou, então, o Delegado Federal Marcelo Itagiba, procuradores de sua confiança no episódio que ficou conhecido como Caso Lunus – um flagrante sobre contribuições de campanha, fartamente divulgado pelo Jornal Nacional. Matou a candidatura Roseana. Ficou com a imagem de um chefe de KGB.

A dinâmica atual da candidatura Dilma Rousseff é muito mais sólida que a de Roseana.

1. É apoiada pelo mais popular presidente da história moderna do país.

2. Fixou imagem de boa gestora. Conquistou diversos setores empresariais colocando-se à disposição para conversas e soluções. O Plano Habitacional saiu dessas conversas.

3. Dilma avança sobre as bases empresariais de Serra, e Serra se indispôs com todos os movimentos sociais por seu estilo autoritário.

4. Grande parte dessa loucura midiática de pretender desestabilizar o governo se deve ao receio de que Dilma não tenha o mesmo comportamento pacífico de Lula quando atacada. Mas ela tem acenado para a mídia, mostrando-se disposta a uma convivência pacífica. Não se sabe até que ponto será bem sucedida, mas mostrou jogo de cintura. Já Serra, embora tenha fechado com os proprietários de grupos de mídia, tem assustado cada vez mais com sua obsessão em pedir a cabeça de jornalistas, retaliar, responder agressivamente a qualquer crítica, por mais amena que seja. Se já tinha pendores autoritários, o exercício da governança de São Paulo mexeu definitivamente com sua cabeça. No poder, não terá a bonomia de FHC ou de Lula para encarar qualquer crítica da mídia ou de outros setores da economia.

5. A grande aposta de Serra – o agravamento da crise – não se confirmou. 2010 promete ser um ano de crescimento razoável.

Com esse quadro desfavorável, decidiu-se apertar o botão vermelho da CPI da Petrobrás.

O caso Petrobras
Com a CPI da Petrobras todos perderão, especialmente a empresa. Há um vasto acervo de escândalos escondidos do governo FHC, da passagem de Joel Rennó na presidência, aos gastos de marketing especialmente no período final do governo FHC.

Todos esses fatos foram escondidos devido ao acordo celebrado entre FHC e José Dirceu, visando garantir a governabilidade para Lula no início de seu governo. A um escândalo, real ou imaginário, aqui se devolverá um escândalo lá. A mídia perdeu o monopólio da escandalização. Até que grau de fervura ambos os lados suportarão? Lá sei eu.

O que  dá para prever é que essa guerra poderá impor perdas para o governo; mas não haverá a menor possibilidade de Serra se beneficiar. Apenas consolidará a convicção de que, com ele presidente, se terá um país conflagrado.

Dependendo da CPI da Petrobras, aguarde nos próximos meses uma virada gradual da mídia e de seus aliados em direção a Aécio.

O blog do Nassif é aqui.

Mundo Máquina e suas Promessas

Máquinas modernas, aquecimento global, nanotecnologia, desenvolvimento e paz sustentáveis, novas vidas em construção. Expectativa de vida, século XXI, racionamento de energia, racismo, preconceitos, políticas, politicagens, momentos e a super-informação. Há muito a sociologia surgiu para explicar os novos problemas da sociedade. O mundo adventício, talvez, não seja apenas especulação. Tudo fora de ordem, operários desempregados, máquinas operando a todo vapor. O exótico já saiu de moda, o planeta não é uma bola de cristal, mas algumas pessoas já começam a admitir o seu fim. Aparecimento de favelas, operários, superpopulação, prostituição, suicídios, greves, desemprego, desigualdades, crise e seus derivados foram problemas que eclodiram no século XVIII; Revolução Industrial, progresso e tecnologia… Daí surgiu a nova ciência chamada Sociologia.

Os dogmas sagrados passam a ser questionados, o futuro já não está tão distante, Eu robô não é apenas um filme, Quem eram os deuses astronautas? 2001: uma odisséia no espaço e no tempo. Desequilíbrio ambiental, armas químicas em desenvolvimento, verdades em demasia, um incêndio mundial. A Terra em estado de explodir, as pessoas mais velozes que o próprio sonho. Superman, Flash, Mulher Maravilha, os heróis estão guardados, engavetados, presos em um DVD. A Liga da Justiça é apenas uma animação. Hannibal Lecter, Lex Luthor, Hitler, Osama bin Laden, Sadam Husein, George W. Bush, José Sarney, Gripe Suína… São apenas vilões, grandes criminosos (ou vírus), mas isso também é ficção. São jogos virtuais bem desenvolvidos, quase reais.

O Século XXI tem várias preocupações: meio ambiente, interdependência, atos de corrupção. Qual será a nova ciência a surgir? Quem serão os novos Comte, Durkheim, Weber, Mark, Engels…? São vários os tipos de Guerra: Guerra Civil, Parcial, Total, Preventiva (preventiva?), Preemptiva, por Procuração (modernos), Fria, Nuclear, Biológica, Química, Comercial, Subversiva, Psicológica. Ideológica… “A Guerra são negócios” (Filme: A Ilha, 2005). Por que a paz sustentável assim como o desenvolvimento são assuntos ainda incompreensíveis para alguns e sem critérios de solução? Parabéns aos “The Simpsons”, fizeram um filme sobre a atual situação do mundo, criticando com muito humor a imparcialidade dos grandes governantes e suas nações. A teoria do desenvolvimento sustentável, ou ecodesenvolvimento são problemas velhos, mas estudados a vigor hoje. As promessas por um mundo melhor já saíram de moda. E agora?

“O céu é uma promessa, eu tenho pressa, vamos nessa direção. Atrás de um sol que nos aqueça, minha cabeça não agüenta mais…” (Engenheiros do Hawaíí, A promessa). Pode ser que o céu esteja lá no alto, no último andar dos grandes edifícios, reservado solenemente para alguns, mas não devemos jogar aviões terroristas sem uma causa justa (aliás, sem causa alguma, para que jogar aviões em prédios? Quer chamar a atenção vai pro BBB, pra Fazenda… ou pro Corinthians). Se ainda quisermos acompanhar a cada pôr-do-sol e amanhecer as novas pinturas e obras artes que do céu surgem não deveríamos andar olhando pro chão. “Hoje as luzes se apagam, amanhã eu vejo o sol.” (Douglas Alves, livro ‘Dias de Sonho’).

“O coração é uma flor que floresce num chão de pedras” (U2, Beautiful day). As pessoas estão alienadas, pensam que podem mudar o mundo apenas assistindo televisão. A velocidade é o que todos procuram, o mundo pós-moderno faz com que os humanos singularizem-se. “Os egoístas, todos eles estão postos na fila rezando e esperando para comprar tempo para eles mesmos” (Pearl Jam, I Am Mine). O desafio do novo milênio é ultrapassar o tempo, ser mais veloz [I need you]. Compre uma Ferrari, um jato, a nova espécie de máquina que acabam de inventar. Eu me preocupo se as pessoas querem realmente mudar a situação do planeta ou serem eleitos para o novo cargo do governo. Se a Coca-Cola produz mais latas do que as pessoas pegam no chão, como conscientizar alienígenas que o lixeiro é logo ali ao lado?

Reles criminosos não são reles. Eles matam, eles roubam, e eles também esquecem de tomar a “Fanta” no café da manhã. A máquina humana um dia pode ser meta-humana, e quando isso acontecer o que sobrará? “Um passo à frente e você já não está no mesmo lugar” (Chico Science, músico Nação Zumbi). Se já sabemos como será o futuro devemos olhar para frente e estudar as possibilidades de mudança, mudança de comportamento, de nossas atitudes, de nossos pensamentos. “E se este mundo for o inferno de outro planeta?” (Aldous Huxley, escritor inglês). Não podemos perder a fé em nós mesmos, isso é inaceitável. Como cantou Zeca Baleiro, no inferno os anjos decaídos cantam covers das canções celestiais. Ele pode ser uma cópia quase perfeita do céu.

“A história dos grandes acontecimentos do mundo não é mais do que a história dos seus crimes”. (François-Marie Arouet ‘Voltaire’). Estudamos as grandes tragédias, mas nunca conseguimos sair delas. “Pense na Terra como um organismo vivo que está sendo atacado por bilhões de bactérias cujo número dobra a cada quarenta anos. Ou morre o invasor, ou morre o hospedeiro, ou morrem os dois”. (Gore Vidal, escritor americano, autor do livro Lincoln). Pensou? Pois é, o mundo está se caminhando para a morte, mas o invasor (nós) também estamos no mesmo barco, somos passageiros do mundo, iremos juntos aonde ele for. Ao infinito e além! Ou seria: ao fim, e quem vem?

“Nada se seca mais depressa do que uma lágrima” (Apolônio de Rodes, poeta grego do século III a.C.). Quantos infiltrados existem no poder? São vários, mas somos mais. É melhor enxugarmos as lágrimas de tristeza, de tempo perdido e trocarmos por sorrisos verdadeiros, eloqüentes, que façam “Iron Maiden” “A dama de ferro”, mostrar sua grande beleza, a estátua na avenida sentir a brisa leve da manhã, e a boneca de porcelana desfilar com seu lindo vestido pela avenida abrilhantando novos horizontes, fazendo a prosperidade chegar a todos. “Os que acreditam no impossível são mais felizes”, assim disse o poeta Eugénie de Guérin. Eu prefiro acreditar.

O poeta, filósofo, grande amigo e escritor José Roque dos Santos questionou: “Quem somos nós para agirmos assim, para quê estamos aqui? Quem está comigo? Quem sou eu? Se somos os donos de tudo, quem é o dono de nós?” É melhor viver feliz que se trancar dentro da caixa de pandora particular, com medo de aprender a plantar uma árvore, descobrir o novo som dos pássaros – não o de desespero, mas o de felicidade, de liberdade. “Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos”. (Pablo Neruda).

Devemos aprender com as crianças a nunca deixar de ser feliz, curioso, energético, criança. “Quando somos crianças, somos um pouco de cada coisa. Artista, cientista, atleta, erudito. Às vezes parece que crescer é desistir destas coisas, uma a uma. Todos nos arrependemos por coisas das quais desistimos. Algo de que sentimos falta. De que desistimos por sermos muito preguiçosos, ou por não conseguirmos nos sobressair, ou por termos medo”. (Kevin Arnold, ANOS INCRIVEIS).

E vou mais além, ultrapasso a compreensão humana de que somos fantoches satisfeitos com o jornal matinal: “A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos” (Chaplin).

Antes de jogar este pensamento fora, por favor, procure ao lado alguém, uma pessoa, aquela que está sorrindo para você ou que no momento está sentada de cabeça baixa preocupada com o amanhã ou somente está tomando seu chá quente (refri gelado) assistindo malhação e sugira a ela ler este texto. Não custa nada tentar! Lembre-se, você é brasileiro e não desiste nunca.

It’s evolution, baby!” “É a evolução, baby!” (Pearl Jam, Do the evolution)

José Douglas Alves dos Santos


Obs.: O número de referências dentro do texto é intencional, algo sem medidas, sem controle, um arsenal de palavras a serem disparadas em todas as direções, em todas as mentes.

Anexos:

A Promessa

Engenheiros do Hawaii

Composição: Humberto Gessinger

Não vejo nada.
O que eu vejo, não me agrada.
Não ouço nada.
O que eu ouço, não diz nada
Perdi a conta
Das pérolas e porcos
Que eu cruzei, pela estrada…
Estou ligado à cabo
A tudo que acaba
De acontecer…
Propaganda
É a arma do negócio.
No nosso peito bate
Um alvo muito fácil.
Mira à laser,
Miragem de consumo,
Latas e litros
De paz teleguiada.
Estou ligado à cabo
A tudo que eles tem
Pra oferecer…
O céu é só uma promessa.
Eu tenho pressa,
Vamos nessa direção.
Atrás de um sol
Que nos aqueça
Minha cabeça
Não aguenta mais…(2x)
Tu me encontrastes
De mãos vazias;
Eu te encontrei
Na contramão.
Na hora exata,
Na encruzilhada,
Na Highway da
Super-informação.
Estamos tão ligados
Já não temos o que temer…
O céu é só uma promessa.
E eu tenho pressa,
Vamos nessa direção
Atrás de um sol
Que nos aqueça.
Minha cabeça
Não aguenta mais…
O céu é só uma promessa
Eu tenho pressa,
Vamos nessa direção
Atrás de um sol
Que nos aqueça.
Minha cabeça
Não aguenta mais.
Não aguenta mais
Não aguenta mais
Não aguenta mais…

Do the Evolution (tradução)

Pearl Jam

Composição: Pearl Jam

Eu estou a frente
Eu sou o homem
Eu sou o primeiro mamífero a usar calças
Eu estou em paz com minha luxúria
Eu posso matar pois em Deus eu confio, yeah
É a evolução, baby

Eu sou uma besta
Eu sou o homem
Comprando ações no dia da quebra, yeah
No frouxo, eu sou um caminhão
Todas as colinas rolantes, eu irei aplanar todas elas, yeah
É comportamento de rebanho, uh huh
É a evolução baby

Me admire, admire meu lar
Admire meu filho, ele é meu clone
Yeah yeah, yeah yeah
Esta terra é minha, esta terra é livre
Eu faço o que eu quiser, irresponsavelmente
É a evolução, baby

Eu sou um ladrão
Eu sou um mentiroso
Esta é minha igreja, eu canto no coro
Aleluia, Aleluia

Me admire, admire meu lar
Admire minha música, aqui estão minhas roupas
Porque nós conhecemos
Apetite por banquete noturno
Esses índios ignorantes não tem nada comigo
Nada, por que?
Porque é a evolução, baby!

Eu estou a frente,
Eu sou avançado,
Eu sou o primeiro mamífero a fazer planos, yeah
Eu rastejei pela terra, mas agora eu estou alto
2010, assista isso ir para o fogo
É a evolução, baby!
É a evolução, baby!
Faça a evolução
Venha
Venha, venha

Carta aos jornalistas sem-diploma

Rodrigo Manzano

Publicado em: 26/06/2009 09:49

Carta aos jornalistas sem-diploma

Queridos novos colegas,

Sejam bem-vindos. Vocês podem estar se sentindo um pouco rejeitados, mas nem todos os jornalistas estão aborrecidos com a notícia de que teremos novos colegas de trabalho agora. As reações mais violentas, acreditem, escondem amores obtusos, paixões desmesuradas e, quem sabe, até uma ponta de inveja. Estou particularmente feliz com a chegada de vocês ao nosso mercado profissional. Já era hora de nos encontrarmos com novas pessoas, novas ideias e novas abordagens em nosso dia-a-dia. Tanto barulho, não se iludam, não significa nada relevante. É apenas barulho e passa. A vida de jornalista, acreditem, não tem o glamour dos filmes e nem nós, o charme de um Clark Kent. Aliás, nem super-homens somos e com tanto trabalho em frente – não falta notícia no mundo, vocês verão – já era tempo de recebermos uma ajuda nesta difícil missão de informar nossos públicos sobre o que se passa além do portão de seu jardim.

Esta carta de boas vindas é sincera e espero que seja útil agora e no futuro. Quando chegarem às redações e assessorias de imprensa, certamente alguém tratará de menosprezá-los, porque, dirão, vocês não têm diploma. Isso não os faz menos jornalistas, porque nada relevante pode ser mudado apenas com um pedaço de papel. Vocês podem lhes responder, ou não. A melhor maneira de oferecer uma resposta a eles é praticando algo que muitos de nós não conseguimos: competência, ética, frescor e novas ideias. A profissão de jornalista é muito chata. Engana-se quem pensa serem as redações ambientes de reflexão, de engajamento e de sinceros desejos de mudança. São lugares cheios da poeira simbólica da imobilidade e do conformismo. Será uma boa oportunidade para vocês mostrarem a nós, jornalistas com diploma, que estivemos absolutamente equivocados nesse tempo todo e que há outras e melhores maneiras de exercer a nossa profissão.

Desconfiem sempre de tudo. Desconfiem se alguém lhes disser que a verdade é uma só. A verdade, caros colegas, são muitas. Há a verdade da vítima e a do assassino, há a verdade do político e do eleitor, há a verdade do patrão e do empregado. Vocês não têm que escolher uma delas, apenas dar espaço a todas. Se alguém disser que vai lhes ensinar a exercer a profissão – afinal, vocês são focas em nosso ofício – recusem. Recusem com elegância e digam ao seu interlocutor que é ele que pode aprender com vocês.

Chegará a hora que perguntarão…

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CPI da Petrobras. Causas e consequências

Paulo Henrique Amorim

Paulo Henrique Amorim

Por que o PSDB quer a CPI?
É para privatizar o pré-sal

16/maio/2009 11:25

Essa bandeira já derrotou muito tucano

A bandeira da campanha do Serra: o petróleo é vosso!

Saiu na Folha Online:

15/05/2009 – 13h35
Lula ataca PSDB por CPI da Petrobras e critica falta de patriotismo

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Atualizado às 13h57.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva partiu para o ataque contra os senadores do PSDB, que conseguiram criar hoje a CPI da Petrobras. Lula disse que não se intromete em assuntos do Congresso, mas afirmou que essa investigação foi articulada pelo PSDB.

“O governo não se intromete na atuação do Congresso Nacional, respeita a autonomia do Congresso, mas essa é uma CPI que não é do Congresso. É muito mais do PSDB”, disse ele hoje na Base Aérea de Brasília antes de embarcar para a Arábia Saudita.

O presidente atrelou a criação da CPI à crise econômica internacional e afirmou que era pouco patriótico fazer esse tipo de investigação no atual cenário. “Num momento de crise internacional, levantar uma CPI contra a Petrobras é ser pouco patriota, pouco responsável pelo país.”

O presidente afirmou que não acredita na existência de irregularidades na Petrobras que precisem ser investigadas. “O país não pode viver uma eterna CPI porque há outros meios de investigação.”

Os tucanos querem desmoralizar e desestabilizar a maior empresa brasileira para servir a seus patrões: os privatizadores. Fernando Henrique abriu a exploração aos grupos estrangeiros na esperança de destruir a Petrobrás e vendê-la. Fernando Henrique era a favor da privatização da Petrobrás. Ele e aquele que ele chama de “brilhante”, Daniel Dantas.

Daniel Dantas recebeu de Antonio Carlos Magalhães a incumbência de estudar a privatização da Petrobrás como forma de o PFL contribuir com o governo que se iniciava, o de Fernando Henrique Cardoso.

Como primeiro passo do marketing de privatização da Petrobrás, os cérebros que cercavam Fernando Henrique iam mudar o nome da empresa para “Petrobrax”, marca evidentemente mais globalizada…O sufixo “bras” provocava comichão em Fernando Henrique, que, em entrevista à Revista Piauí, qualificou a solenidade do 7 de Setembro de “uma palhaçada” (ele deve comemorar o 4, o 9 ou o 14 de Julho, em silêncio).

Na superfície, os senadores tucanos querem a CPI para salvar o mandato. O objetivo, porém, corre em águas profundas.

O que os tucanos querem é impedir que se crie uma nova agência estatal para administrar o pré-sal e, como na Noruega, através de um fundo de investimento, transferir os recursos para a educação.

Os tucanos, como os seus antecessores do PiG (*) fora do PiG (*), Assis Chateaubriand e Roberto Campos, estão a serviço do capital estrangeiro.

Tomara que a ministra Dilma Rousseff e o presidente Lula, nos palanques da campanha de 2010, digam assim, com todas as letras: o Serra vai privatizar a Petrobrás.

Paulo Henrique Amorim

Leia também:

Senado quer a CPI da Petrobrás. Que crime cometeu a Petrobrás?

(*) PiG: A Folha, o Globo e o Estadão, suas agências de informação e, sobretudo, a Rede Globo compõem o PiG.  Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Fonte: www2.paulohenriqueamorim.com.br

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Luis Nassif

Luis Nassif

16/05/2009 – 10:10

Uma CPI que envergonha

Coluna Econômica – 15/05/2009

Em seus tempos de oposição, o PT se valia do instrumento das CPIs para tentar desestabilizar o governo, especialmente depois que a desvalorização cambial liquidou com a blindagem política de Fernando Henrique Cardoso.

Lula eleito, PT no poder, o último partido a se integrar ao jogo político, pensava-se que se chegaria à maturidade. Ledo engano. O que o PSDB está aprontando com sucessivos pedidos de CPI envergonham o jogo político. Essa CPI da Petrobrás servirá apenas para atrapalhar a empresa, em um momento em que anuncia investimentos no pré-sal que correspondem a um quarto de todo o investimento do governo chinês para recuperar a economia chinesa.

***

A Petrobrás seguiu uma estratégia tributária legítima, a partir de uma Medida Provisória editada em 1999, logo após a maxidesvalorização do real.

Imagine uma operação de câmbio de dois anos, contratada no primeiro semestre do ano passado. Começa com um câmbio a R$ 1,60. Em dezembro, o câmbio vai a R$ 2,30, mas a operação continua, só será liquidada muito tempo depois. Hoje, essa mesma operação seria registrada com o câmbio a R$ 2,10. Daqui a alguns meses poderá estar a R$ 2,30 ou R$ 1,80.
Enquanto não liquida a operação, a empresa não sabe se ganhou ou perdeu.

O mesmo acontece com investimentos no exterior. Se a empresa tem ativos no exterior (fábricas, investimentos) o valor do investimento é convertido em reais, pela cotação de fechamento do câmbio. Se o câmbio se desvaloriza, digamos, 20%, o valor dos ativos será declarado por 20% a mais, em reais. A operação continuou a mesma, a geração de caixa a mesma, mas para efeito de balanço, parecia que a empresa teve um lucro equivalente ao aumento de 20% de seus ativos.

***

A MP editada em 1999, depois ratificada em 2001 – em pleno governo FHC – visava justamente desonerar as empresas de ganhos não reais, artificiais. Ela permitia às empresas optarem no balanço pelo conceito de competência ou de caixa – o de caixa mede apenas o que entra ou sai efetivamente do caixa.

***

Aí entram as interpretações discrepantes. A Receita diz que a opção deve ser no início do exercício fiscal – no caso, 1o de janeiro de 2008. Uma linha de tributaristas julga que pode-se fazer a opção no final do exercício, por uma razão muito simples. Se a opção é para evitar impactos artificiais do câmbio, como é que no início do ano vai-se saber o que ocorrerá com o câmbio no decorrer do ano?

Há várias instâncias de discussão, no âmbito do Conselho dos Contribuintes, da Justiça, em suas diversas instâncias. Como tantas discussões fiscais que ocorrem entre empresas e Fisco.

***

Outro ponto de manipulação do noticiário foi o de que o total de redução do imposto pago chegou a R$ 4 bi. Não é verdade. Desse total, R$ 2 bilhões se referem a juros sobre capital (uma remuneração sobre o capital próprio que pode ser abatido dos resultados.

Como a Petrobrás tem passivos e ativos em dólares, a conta final chega a R$ 1 bi. Jamais a R$ 4 bi.

Em qualquer hipótese, não poderia servir de álibi a uma CPI que visa apenas prejudicar o país, em nome de interesses políticos menores.

Fonte: colunistas.ig.com.br/luisnassif/

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Luis Nassif

Luis Nassif

16/05/2009 – 10:29

CPI: uma questão de negócios

Juntando as peças:

1. A constatação do professor Ronaldo Bicalho é definitiva. Aqui está a explicação para essa CPI sem pé nem cabeça:

Ao intento óbvio de se criar dificuldade para o governo Lula, soma-se a clara manobra de enfraquecer a posição da empresa na negociação do novo marco regulatório para o pré-sal.

2. Depois lembrem-se que quem está na outra ponta, tentando assumir a criação e o controle da Petrosal é o senador Edison Lobão, afilhado do presidente do Senado José Sarney.

3. Finalmente, analise o papel de Sarney nesse jogo. Ou dos grupos brasileiros que entraram nessa área de prospecção e têm ampla influência, especialmente sobre a mídia carioca.

Do Portal Luís Nassif

Do Blog do Ronaldo Bicalho

A CPI da Petrobras e a irresponsabilidade sem limite

Colocar a maior empresa brasileira ao sabor das veleidades político-midiáticas em um momento de profunda crise econômica mundial caracteriza um tipo de comportamento que não tem nenhum outro compromisso que não seja alcançar o poder a qualquer custo.

Em um momento em que a empresa procura mobilizar todos os seus recursos para enfrentar os desafios da exploração do pré-sal, em um contexto econômico extremamente desfavorável, inserindo-se em um grande esforço de política anticíclica, criar uma CPI no Senado Federal tem como único objetivo inviabilizar qualquer tentativa de construir uma agenda positiva para o país.

Considerando o peso que os papéis da Petrobras têm no mercado de capitais brasileiro, as possibilidades para todo o tipo de manipulações a partir de vazamentos selecionados, boatos infundados, até mesmo da simples chantagem para auferir vantagens ilícitas, não têm limites.

Ao intento óbvio de se criar dificuldade para o governo Lula, soma-se a clara manobra de enfraquecer a posição da empresa na negociação do novo marco regulatório para o pré-sal. (continua)

Comentário

O grupo de Sarney, através de Edison Lobão, está tentando emplacar e assumir o domínio da nova empresa que surgirá, a tal Petrosal. Como foi o comportamento do Sanry em relação a esta CPI?

Do Estadão

Para evitar se desgastar, Sarney deu aval a tucanos

Presidente do Congresso avisou Planalto que não impediria oposição

Christiane Samarco e Eugênia Lopes

O desfecho da sessão de ontem, no Senado, quando foi criada a CPI da Petrobrás, teve o aval explícito do presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP). Mas se Sarney é o “pai” do fato consumado, a “mãe” é briga política entre PSDB e DEM, destravada com a decisão dos democratas de apoiar o ex-presidente para o comando do Senado, em fevereiro.

A rusga na oposição cresceu com o debate interno sobre a criação da CPI da Petrobrás: o DEM, liderado pelo senador Agripino Maia (RN), é majoritariamente contra a instalação imediata da comissão, enquanto a maioria dos tucanos tem pressa de abrir a investigação. “A maioria da minha bancada tem posição mais cautelosa de ouvir o presidente da Petrobrás primeiro”, explica Agripino.

Não foi por acaso que Sarney deu sinal verde a seu primeiro-vice, senador Marconi Perillo (PSDB-GO), para que assumisse a presidência da sessão e fizesse a leitura do requerimento da CPI. Como presidente, Sarney seria o único que poderia tirar o vice da cadeira e impedir a leitura. Consultado por telefone, ele não só garantiu a Perillo que não iria ao Senado, como acrescentou que o tucano tinha legitimidade para proceder a leitura. Mais que isso: contou que avisara ao Planalto, na véspera, que não se desgastaria em um duelo com a oposição para evitar a CPI. (continua)

Por Ronaldo Bicalho

Nassif,

O posicionamento do senador José Sarney é o mais óbvio nesse jogo. Usar o controle do desenvolvimento de uma CPI para conseguir vantagens junto ao planalto é prática corriqueira do PMDB governista. E isto também vale para qualquer votação importante no parlamento. Esta é a parte mais visível do jogo, contudo não é a mais importante a desvendar.

(…) Dessa forma, colocar o foco sobre as armações costumeiras do PMDB ou sobre a perda de rumo do PSDB esconde os atores decisivos desta trama. Na verdade, tanto um quanto outro são fichinhas diante daqueles que realmente bancam o jogo.

Pode-se reduzir esse evento a nossa novelinha política e seus tradicionais personagens canastrões, porém, o problema dessa solução é que o programa é outro e inclusive passa em outro horário e em outro canal. (íntegra nos comentários).

Fonte: colunistas.ig.com.br/luisnassif/

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Os tucanos querem privatizar a “PetroBrax” e o pré-sal

Senadores que querem privatizar a Petrobras

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Paulo Henrique Amorim

Paulo Henrique Amorim

O que FHC fez para privatizar a Petrobras. A CPI quer fazer o que falta

19/maio/2009 8:34

Os tucanos querem sujar a mão na grana do pré-sal

Os tucanos querem

sujar a mão

na grana do pré-sal

. FHC, o Farol de Alexandria, aquele que iluminava a Antiguidade, fez o seguinte para privatizar a Petrobras:

. Aparelhou o Conselho de Administração da Petrobras e substituiu seis conselheiros por prepostos da iniciativa privada e de empresas internacionais de petróleo.

. O objetivo era cortar na carne da empresa, demitir, reduzir investimentos e demonstrar que a Petrobras não tinha competência  para administrar o monopólio da União.

. Um presidente, do período FHC, Francisco Gros, disse logo após a posse que a Petrobras passaria de empresa estatal a empresa privada de capital internacional.

. Dividiu a Petrobras em 40 subsidiárias, para privatizá-las, uma a uma.

. A privatização começaria com a Refinaria Alberto Pasqualini (*) no Rio Grande do Sul.

. Vendeu 36% das ações da Petrobras na Bolsa de Nova York por menos de 10% de seu valor real.

. Aprovou a Lei 9478/97 que contraria a Constituição e concede o petróleo – que deve ser da União – a quem o produz.

. Mudou o nome da Petrobras para Petrobrax, para vendê-la melhor nos países de língua inglesa.

Em tempo: os dados deste post foram extraídos de uma entrevista de Fernando Siqueira, presidente da Associação dos Engenheiro da Petrobras, ao Correio da Cidadania, de 20/jan/2009.

(*) Por falar neste grande líder trabalhista gaúcho, Alberto Pasqualini, vale lembrar, como fez o Azenha, a Carta Testamento de Vargas, quando diz: “A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobras, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculizada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente.”

Fonte: www2.paulohenriqueamorim.com.br

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Fernando Siqueira: a desmoralização da Petrobras

19/maio/2009 10:34

Por sugestão do amigo navegante Marco, o Conversa Afiada disponibiliza a entrevista de Fernando Siqueira feita para o programa Faixa Livre, em 18 de maio de 2009.

Siqueira é presidente da AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobras) e, nesse programa, fala sobre os argumentos utilizados para a desmoralização da Petrobras (desde a época de FHC) e a pressão do lobby das multinacionais.

Clique aqui para ouvir a entrevista.

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PHA disse: Enviado ao Conversa Afiada pelo navegante Laet Luis Gaspar Meneses Lima de Oliveira:

Uma contribuição do navegante René Amaral:

Por sugestão do navegante Lucas:

O Corinthians e o preconceito contra Lula

Fonte: O Escrevinhador

Foi o leitor Plínio Teodoro quem me enviou o artigo de Marcelo Carneiro da Cunha, que reproduzo abaixo. Não conheço pessoalmente o autor. Mas concordo com quase tudo que ele diz – especialmente no que se refere a torcer pelo Corinthians…

O artigo foi escrito na semana em que Obama disse a famosa frase: “Lula é o cara”. Mas segue atual. Ainda mais depois de mais um título conquistado pelo alvi-negro, no último domingo.

LULA É O CARA

Marcelo Carneiro da Cunha

É dura a vida de colunista e escritor. Não adianta eu falar, insistir, berrar aqui nesse espaço ou onde mais me deixarem à solta. Tem que vir o Obama pra dizer em alto e bom inglês que o Lula é o cara, Lula is the man, e aí sim, a imprensa repete aos milhões, o Fernando Henrique tem um choque anafilático de tanta inveja e todo mundo cai na real.

Isso não significa que eu não tenha críticas ao Lula ou ao partido. Minha relação com eles é mais ou menos a que eu mantenho com as mulheres: gostaria que fossem muito diferentes, mas, olhem só as alternativas! Vivemos em um mundo real, com defeitos reais, consequências infelizes da nossa humanidade. Compreender esse mundo e governar para ele, tentando ao mesmo tempo torná-lo melhor, com direito a alguma quantidade de sonho, é o que diferencia um político competente de um estadista. E Lula é um estadista, o maior que já tivemos.

Eu acho que boa parte desse preconceito contra o Lula é preconceito mesmo, do ruim. Olhem o que eu ouvi ontem mesmo de uma moradora de um bairro nobre daqui. Ela explicou que não torce para o Corinthians, porque, afinal “tenho todos os meus dentes e conheço o meu pai”. Uffff.

Lula, por exemplo, que mal conheceu o pai, na infância, e não sei quanto aos dentes, mas sei quanto aos dedos, torce para o Corinthians. E eleger o Lula foi um momento sublime para os brasileiros porque ele representou a nossa aceitação de nós mesmos por nós mesmos, condição essencial para uma nação ser algo maior do que um mero país. Eleito, Lula nos libertou e o Brasil deu o salto que todos vivem, mesmo que não queiram ver.

Na América Latina, e eu leio a imprensa dos nossos vizinhos, Lula é idolatrado como um grande líder nacional, que ama seu povo e se dedica a defender os seus interesses, ao mesmo tempo em que tenta sinceramente ajudar e integrar os que nos rodeiam. Somos admirados por que passamos a nos levar a sério e deixamos de puxar o saco do primeiro mundo, como fazia o nosso pomposo FHC. Barramos espanhóis (inocentes, claro) na fronteira exigindo tratamento decente aos nossos viajantes que entram na Europa. Lula não tem medo de ninguém e exige estar no G-20, mas junto com o G-8, ou onde quer que se decida alguma coisa.

Lula ajudou Chávez a sobreviver e hoje o enche de elogios, enquanto sabota seus piores planos e ajuda o Brasil a vender e ganhar muito com a Venezuela. Garantiu o empate na quase guerra de araque entre Colômbia e Equador, fazendo o Brasil atuar como o líder que tem que ser. Lula abriu agências da Embrapa em países africanos, onde nossa biotecnologia tropical vai ajudar a combater a fome e criar uma agricultura moderna. Ele também decidiu que não vamos exportar petróleo do pré-sal, coisa de país atrasado, e sim derivados com alto valor agregado. Isso não é lá visão geopolítica e estratégica? Viajou aos países árabes, nunca antes assunto para nossos governantes e criou laços que hoje se transformam em comércio, bom para todos.

Aqui dentro, já que o Brasil também é assunto, manteve sim a política econômica anterior, mas lhe deu a direção social que faltava. E se alguém acha que isso foi coisa pouca, imaginem as pressões que Lula sofreu, às quais teve que resistir, enquanto a Argentina, aqui ao lado, experimentava heterodoxias com o Kirchner e crescia 10% ao ano. Imaginem o que foi para um ex-torneiro mecânico peitar toda a suposta elite econômica instalada nos principais veículos de comunicação, que tentavam dizer a ele para onde apontar o nariz e que aprendesse a obedecer ou o mundo iria cair, culpa dele. Quem resiste a tudo e segue firme no caminho em que acredita é um líder. L-Í-D-E-R. Acerta e erra, mas lidera.

O maior mérito do Brasil de hoje é nosso, do povo brasileiro. Fomos nós que soubemos mudar, acabar com o PFL, optar pelo moderno e, por isso, hoje nosso destino se divide entre dois partidos e projetos viáveis, PSDB e PT. Se os dois são viáveis, o PT é mais generoso, e por isso a minha escolha.

Provavelmente seguiremos crescendo e nos afirmando como nação moderna e emergente, capaz de alimentar a si e ao mundo, o que para mim já está uma beleza, obrigado. Mas, alguém aí ousa comparar o Lula a gente um tanto insípida, inodora e incolor, como Aécio, Serra e mesmo a Dilma? Vamos talvez seguir rumo à prosperidade, mas de um jeito tão mais sem graça. Vocês conseguem imaginar algum desses nomes acima fazendo a frase sobre “banqueiros brancos e de olhos azuis, que achavam que sabiam tudo de economia” que hoje é repetida no mundo inteiro?

Lula, para mim, representa o fim do enorme desperdício que nosso país sempre praticou, ao ignorar a humanidade e inteligência do seu povo, acusando-o de ser pouco escolarizado. Eu tenho o privilégio de, de tempos em tempos, encontrar com leitores de grupos de EJA (Educação de Jovens e Adultos), na prática turmas de pedreiros, domésticas, carpinteiros, eletricistas; gente que deixou a escola quando criança e voltou agora, para aprender, inclusive, a ler. E ser lido por essas pessoas é uma enorme honra para um escritor que gosta de ser lido. E eles leem como ninguém, minha gente. Com uma garra e encantamento de arrepiar. E raramente têm a chance de trazer essa visão absoluta do mundo, essa experiência toda a para vida do nosso país. Lula, prezados leitores, fez e faz exatamente isso.

Eu conheço meu ilustre pai, para o bem ou para o mal, tenho praticamente todos os dentes e certamente todos os dedos, o que me coloca em uma camada, digamos, privilegiada, no Brasil. Mas, mesmo que não seja exatamente a minha cara, Lula consegue ser a cara brasileira da minha alma, de tantas outras almas de nosso país e, por isso mesmo, ele é, tem sido e vai ser o cara. O Cara, a nossa cara.

Pelo que eu conheço do mundo, essa coluna vai atrair toda uma desgraceira pra cima desse colunista. Pois, muito bem, que venha. Esperar menos do que isso, estar menos preparado do que estou para combater o que vier, seria um desrespeito desse cidadão agradecido aqui, ao seu presidente, a quem tanto admiro e por quem tenho mais é que brigar mesmo. Podem vir, serão todos bem recebidos, e vamos em frente, nós e o Cara, fazer o debate e o país de que tanto precisamos.

Dizer “Esse é o cara” afirma a negritude do Obama e sua admiração por Lula. Vivemos melhor em um mundo assim, de aceitações, reconhecimentos, sinceridades. Se eles, que são políticos, podem, então a gente pode tudo, até mesmo torcer para o Corinthians, imagino, nesse admirável mundo novo que o século 21 nos traz.

Marcelo Carneiro da Cunha é escritor e jornalista

Fonte: O Escrevinhador

MST versus jagunços de banqueiro condenado

Vi algumas reportagens da TV Globo sobre o conflito entre militante do MST e jagunços numa fazenda do banqueiro condenado Daniel Dantas, e de cara achei que a narração não casava muito bem com as imagens. A reportagem fala de jornalistas como escudo humano, de troca de tiros entre os dois lados, de jornalistas e pessoas presas na fazenda, impedidas de sair, por causa dos sem terra. Nada disso, bate exatamente com as imagens mostradas. Só analisando as imagens, a impressão que ficou foi de uma reportagem tendenciosa, especialmente pela falta de críticas a ação violenta dos jagunços, e também um pouco mentirosa.

  • Veja os vídeos abaixo.

  • Abaixo, matéria do Jornal Nacional, versão menos pior, entre todas as mostradas pela Globo, mas que mesmo assim, está longe de ser boa

  • Qualquer criatura normal percebe que há algo errado com a reportagem, apenas vendo as imagens.

Minha impressão(considerando que sou um criatura normal, normal com um margem de tolerância alta) foi:

“Me parece que 9 pessoas saíram feridas, sendo 8 do MST e um jagunço de Daniel Dantas. Pelas imagens, me pareceu também que os jornalistas estavam relativamente(dentro dos limites que o contexto permitia) protegidos atrás de caminhonetes e dos jagunços de Daniel Dantas. Jagunços estes que portavam muitas armas, algumas de grosso calibre e que pelas imagens, atiraram para matar. Não vi armas nas mãos dos sem terra, mas se existiam, estes estavam muito em desvantagem. Achei até meio suicida a atitude deles. Realmente não entendi a questão dos jornalistas como escudos humanos.”

Meus questionamentos vêm apenas das imagens, não sabia a versão do MST, não havia lido comentários/críticas sobre o assunto.

  • Logo depois, encontrei a versão do MST no portal de Paulo Henrique Amorin, neste link: http://www2.paulohenriqueamorim.com.br/?p=9494. Me pareceu muito mais crível, a versão deles. Principalmente devido as imagens veiculadas pela própria Globo.
  • Suspeitava que o fundo do poço havia chegado. Mas não, eu estava enganado. O fundo do posso, suponho, é o que está logo abaixo. Vejam esta nota:

A Associação Nacional de Jornais – ANJ – repudia com veemência a ação criminosa de integrantes do Movimento dos Sem-Terra  – MST – do Pará, no sábado, dia 18, que mantiveram quatro jornalistas como reféns e os usaram como escudos humanos no enfrentamento com seguranças da Fazenda Castanhais, em Xinguara.

É injustificável e condenável sob todos os aspectos que se atente dessa forma contra a integridade física das pessoas, num revoltante descaso com a vida humana. Além disso, os integrantes do MST atentaram contra o livre exercício do jornalismo, aterrorizando profissionais que cobriam o evento com objetivo de informar à sociedade. Felizmente, ninguém saiu fisicamente ferido dessa ação criminosa.

A ANJ espera que as autoridades do Pará cumpram com sua obrigação, investigando com rapidez e eficiência o crime cometido contra os jornalistas e a sociedade, identificando seus autores e levando o caso à Justiça, para a devida punição. A democracia é o regime da ordem, do respeito à vida humana e da valorização da liberdade.”

Fonte: ANJ

  • Como dá para perceber claramente, a associação toma partido de forma veemente, reafirmando as acusações citadas nas reportagens da Globo, só que de forma mais incisiva. Além disto cobra providências imediatas contra os sem terras devidos aos supostos crimes cometidos, que na nota são claros e incontestáveis.
  • O problema é que a reportagem da Globo aparentemente está cheia de inverdades, pois o mais provável é que o MST tenha sido vítima e não algoz, logo, todos os fatos destacados na nota da ANJ são aparentemente falsos.

A ANJ, segundo o nome indica, representa todos os jornais brasileiros, por isto a nota acima dá nojo de ler. Neste exato momento estou sentindo um incômodo nas entranhas apenas por ter colado ela aqui. Imagino se eu fosse jornalista, o que sentiria.

Meu nojo pela nota da ANJ ficou ainda maior, depois de ler o seguinte texto publicado no portal de Paulo Henrique Amorin.

MST/Dantas: repórter da Globo desmente versão da Globo sobre cárcere privado

28/abril/2009 9:07

O Conversa Afiada recebeu de uma amiga navegante (muito inteligente, por sinal e que, por isso, evita assistir ao jornal nacional, ao Bom (?) Dia Brail e ao patibular William Waack, para não se sentir em cárcere privado:

Repórter da Globo desmente versão de cárcere privado
27/04/2009

Por Max Costa*

Vitor Haor, repórter da TV Liberal – afiliada da TV Globo -, depôs ao delegado de Polícia de Interior do Estado do Pará e, em seu depoimento, negou que os profissionais do jornalismo tenham sido usados como “escudo humano” pelos Sem Terra, bem como desmentiu a versão – propagada pela Liberal, Globo e outras emissoras – de que teriam ficado em cárcere privado, durante conflito na fazenda Santa Bárbara, em Xinguara.

Está de parabéns o repórter – um trabalhador que foi obrigado a cumprir uma pauta recomendada, mas que não aceitou mais compactuar com essa farsa. Talvez tenha lhe voltado a mente o horror presenciado pela repórter Marisa Romão, que em 1996 foi testemunha ocular do Massacre de Eldorado dos Carajás e não aceitou participar da farsa montada pelos latifundiários e por Almir Gabriel, vivendo desde então sob ameaças de morte.

A consciência deve ter pesado, ou o peso de um falso testemunho deva ter influenciado. O certo é que Haor não aceitou participar até o fim de uma pauta encomendada, tal quais os milhares de crimes que são encomendados no interior do Pará. Uma pauta que mostra a pistolagem eletrônica praticada por alguns veículos de comunicação e que temos o dever de denunciar.

Desde o início, a história estava mal contada. Um novo conflito agrário no interior do Pará, em que profissionais do jornalismo teriam sido usados como escudo humano pelo MST e mantidos em cárcere privado pelo movimento, em uma propriedade rural, cujo dono dificilmente tinha seu nome revelado. Quem conhecia e acompanhava um pouco da história desse conflito sabia que isso se tratava de uma farsa. A população, por sua vez, apesar de aceitar a criminalização do MST pela mídia e criticar a ação do movimento, via que a história estava mal contada.

As perguntas principais eram: como o cinegrafista, utilizado como “escudo humano” – considero aqui a expressão em seu real sentido e significados -, teria conseguido filmar todas as imagens? Como aconteceu essa troca de tiros, se as imagens mostravam apenas os “capangas” de Daniel Dantas atirando? Como as equipes de reportagem tiveram acesso à fazenda se a via principal estava bloqueada pelo MST? Por que o nome de Daniel Dantas dificilmente era citado como dono da fazenda e por que as matérias não faziam uma associação entre o proprietário da fazenda e suas rapinagens?

Para completar, o que não explicavam e escondiam da população: as equipes de reportagem foram para a fazenda a convite dos proprietários e com alguns custos bancados – inclusive tendo sido transportados em uma aeronave de Daniel Dantas – como se fossem fazer aquelas típicas matérias recomendadas, tão comum em revistas de turismo, decoração, moda e Cia (isso sem falar na Veja e congêneres).

Além disso, por que a mídia considerava cárcere privado, o bloqueio de uma via? E por que o bloqueio dessa via não foi impedimento para a entrada dos jornalistas e agora teria passado a ser para a saída dos mesmos? Quer dizer então que, quando bloqueamos uma via em protesto, estamos colocando em cárcere privado, os milhares de transeuntes que teriam que passar pela mesma e que ficam horas nos engarrafamentos que causamos com nossos legítimos protestos?

Pois bem, as dúvidas eram muitas. Não apenas para quem tem contato com a militância social, mas para a população em geral, que embora alguns concordassem nas críticas da mídia ao MST, viam que a história estava mal contada. Agora, porém, essa história mal contada começa a ruir e a farsa começa a aparecer.

* Max Costa é jornalista de Belém e também membro da secretaria geral do PSOL

Clique aqui para ler o desmentido do MST: “MST desmente a Globo pela enésima vez”

Depois tudo isto, declaro em minha própria mente encerrado o caso, e julgo a rede Globo culpada de manipulação de informação, publicação de inverdades. Além disto,  reitero minha ojeriza a tal nota da ANJ (éca!).

Encerro desejando sorte ao MST. Movimento SOCIAL ao qual relativamente poucos brasileiros são simpáticos, em parte por problemas do próprio MST, em parte por problemas culturais do Brasil, mas em grande parte por causa deste tipo de cobertura que a mídia costuma fazer de suas ações (esta foi das piores, vamos ressaltar).
Neste caso, graças a internet, ficou claro para mim a verdade, mas e para aqueles que não tem acesso tão fácil a internet quanto nós, será que a verdade ficou clara? Qual será a impressão que ficou para a maioria da população?
( Obs.: não tenho nenhuma ligação com o MST. Fazendo um confissão, pelos motivos citados, sou mais um dos que nunca nutriram simpatia )

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Folha em campanha para 2010. E desaprendendo a fazer jornalismo…

Faço questão de republicar, por inteiro, o ótimo artigo abaixo, pertencente ao blog JornalismoB, por considerar muito importante que o máximo de pessoas fique a par do tipo de “jornalismo” que a Folha de São Paulo faz. Leia para seu próprio bem.

Para quem não sabe, JornalismoB é o blog dos estudante de jornalismo da UFRGS é um blog mantido por 3 estudantes de jornalismo da UFRGS.
Um abraço. Agradeço a Alexandre Haubrich por permitir que este pequeno blog/site publique os artigos do grande blog JornalismoB. 🙂

No final tem um vídeo da Record sobre as mentiras da Folha de São Paulo em relação a ditadura.

Vinicius AC

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Folha em campanha para 2010. E desaprendendo a fazer jornalismo…

6 Abril 2009

A “ditabranda” da Folha de São Paulo está dando frutos. E frutos contundentes. A capa de domingo – provavelmente a edição mais lida de todos os veículos de comunicação impressos do país na semana – trata a candidata de Lula como uma criminosa. Não falo aqui de subjetividades. A coisa é tão forte que já se tornou uma agressão bastante objetiva.

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“Grupo de Dilma planejou o sequestro de Delfim Netto”, é o título. Ou seja, ela era criminosa, certo? Não importa dizer em seguida que a atual ministra-chefe da Casa Civil diz não saber na época desses planos. O texto todo se contrói de forma a transformar Dilma Rousseff em uma verdadeira criminosa, mentirosa, agressiva, ambiciosa. O início da matéria é muito significativo. O primeiro parágrafo trata Dilma por Luiza, para depois explicar que esse era um codinome da guerrilheira. Mostra Luiza como uma ex-estudante que prefere montar um fuzil a estudar, que abandonara a faculdade e se dedica a uma luta sangrenta, e dá a entender – não afirma explicitamente, até porque nem poderia, mas deixa claro – que a menina de 22 anos sabia dos planos de sequestro. Sequestro, aliás, “de Delfim Netto, símbolo do milagre econômico e civil mais poderoso do governo federal”. Não bastasse criticar Dilma tão enfaticamente, a Folha louva Delfim Netto e a ditadura militar, como já vem se tornando hábito do jornal, vide o episódio “Ditabranda”.

O segundo parágrafo explica que Luiza na verdade é Dilma. E lista uma série de nomes usados pela ex-guerrilheira, em uma construção textual que induz o leitor a enxergar a personagem como uma mentirosa, aquela que usa diversos nomes para esconder seu rosto.

Mais adiante, cita um aliado de Dilma à época, que afirma que a ministra sabia do sequestro e, mais uma vez, a construção textual leva a crer que a contestação de Dilma à informação é mentirosa. A repercussão da matéria é ainda mais espantosa. A fonte de Fernanda Odilla, Antonio Roberto Espinosa, aliado de Dilma, afirma que foi entrevistado apenas por telefone e que as afirmações presentes na matéria decorrem de distorções dessa entrevista. Solicitou a publicação de uma carta no jornal – o que ainda não foi feito – esclarecendo o caso e desfazendo a mentira da Folha de S.Paulo. Um trecho de sua carta diz: “Afirmo publicamente que os editores da Folha transformaram um não-fato de 40 anos atrás (o seqüestro que não houve de Delfim) num factóide do presente (iniciando uma forma sórdida de anticampanha contra a Ministra)”. Em seguida, esclareceu cada ponto da matéria mentirosa. Vale a pena a leitura, não discorro sobre todos os itens por falta de espaço. Está AQUI.

No intertítulo da matéria fraudulenta, mais insinuações negativas a respeito da possível sucessora de Lula. A repórter Fernanda Odilla – se é que se pode chamar de repórter quem escreve um texto desses, absolutamente mentiroso – relata o esbanjamento de Dilma ao cortar o cabelo em um salão chique – “que servia champanhe aos clientes” – com o dinheiro do “assalto ao cofre do ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros”. Olha como eles são ladrões e hipócritas, faltava ela dizer.

Os planos do sequestro em si ficaram para o fim do texto. Claro, o suposto fato desenterrado agora é só um pretexto para desconstruir a imagem de Dilma. Começou – há algum tempo já, mas agora de forma mais agressiva – a campanha da Folha pela candidatura de Serra, para levar o PSDB ao Planalto em 2010.

A mesma Fernanda Odilla entrevista Dilma Rousseff na página seguinte. Ela não consegue, mas tenta o tempo inteiro desmoralizar a ministra, levá-la a admitir que a guerrilha era uma opção baixa, a assumir como um crime a sua luta contra a ditadura. Fica claro, por exemplo, na pergunta “A sra. faz algum mea-culpa pela opção pela guerrilha?”, como se Dilma devesse se envergonhar de sua resistência ao regime ditatorial. Mas Fernanda leva um cascudo da ministra por causa da atitude de seu jornal, essa posição antidemocrática e bastante direitista de dias atrás: “Por isso, minha filha, esse seu jornal não pode chamar a ditadura de ditabranda, viu? Não pode, não”. E ainda assim, a repórter continua usando de meios mesquinhos para levar Dilma a alguma contradição, citando ex-namorados, tentando fazer a ministra entregar alguém, confessar alguma atitude baixa.

Por tudo isso, peço desculpa por um post tão grande. Mas havia coisas que eu não podia simplesmente deixar passar. É preciso mostrar onde está o mau jornalismo. E mau jornalismo é fazer campanha muito antes dela ser deflagrada, e se dizendo imparcial, dizendo não ter lado. Usar as palavras de forma a induzir ao que não está dito, ao que não é verdadeiro, é péssimo jornalismo. Colocar na manchete uma afirmação não-comprovada, sem dizer que é só uma citação, é jornalismo dos mais medíocres.  Distorcer uma entrevista para conseguir um fato possivelmente inexistente é um péssimo exemplo de jornalismo. E tudo isso em um jornal que se diz “a serviço do Brasil”. Quero deixar claro aqui que a Folha está nitidamente em campanha pelo PSDB, pela candidatura de José Serra em 2010. E essa matéria é um exemplo explícito, gritante. Espinosa, a tal fonte de Fernanda Odilla, resume na carta já citada o que a repórter fez: “praticou o pior tipo de jornalismo sensacionalista, algo que envergonha a profissão que também exerço há mais de 35 anos”. Mais uma vez, sinto vergonha pelo que chamam de jornalismo no Brasil.

* Registro que o Jornalismo B lamenta a morte do jornalista e um dos líderes da resistência à ditadura militar Márcio Moreira Alves.

Postado por Cris Rodrigues

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Vídeo da Rede Record sobre as mentiras da Folha de SP:

ZH: Lula é eleitoreiro. Yeda é salvação

ZH: Lula é eleitoreiro. Yeda é salvação

8 Abril 2009

Em meados de fevereiro, Lula recebeu 3,5 mil prefeitos em Brasília para negociar e anunciar medidas de auxílio às prefeituras. Em meados de abril, agora, Yeda Crusius – governadora do Rio Grande do Sul – reuniu cerca de 350 prefeitos do Estado para anunciar medidas de auxílio às prefeituras. Aparentemente fatos similares, para a Zero Hora eles são como água e vinho, como verdade e mentira, como Jornalismo B e ZH.

digitalizar0004No primeiro caso, o título da matéria principal da cobertura de ZH no dia do encontro foi “De olho em 2010, governo abre os cofres”. Agora, no dia em que Yeda recebeu os prefeitos, “Yeda corteja prefeitos em Porto Alegre”, com a seguinte linha de apoio: “Piratini faz encontro em momento de queda das verbas federais” (grifo meu). Notas algo estranho? A abordagem é semelhante? Por que o evento de Lula é eleitoreiro e o de Yeda não? Esse tipo de questão permeia as matérias inteiras. (…)

( Leia aqui a íntegra desta matéria )

(…) Na mesma matéria, ZH tenta aplicar o mesmo processo ao presidente. Depois de reproduzir declaração dele criticando alguns jornais, lembra, de passagem, que Lula disse em uma entrevista que não lia jornais. Como se esse fosse o cerne da questão. A verdadeira discussão que deveria ser criada em torno da declaração de Lula resume o que esse post tentou mostrar, e é óbvia, só não entende quem não quer – caso de ZH, que faz questão de se fazer de idiota enquanto faz isso com os leitores. O que Lula disse, sobre a cobertura que os principais jornais do país fizeram de seu encontro com os prefeitos, foi o seguinte:

– Fiquei triste como leitor, porque abusaram de minha inteligência e pensam que o povo é marionete e pensa como boi, como manada. Mas acabou o tempo em que alguém achava que poderia influenciar uma eleição por ser formador de opinião.

Postado por Alexandre Haubrich

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AAmigos comentam:

Tenho muitas críticas ao governo Lula e ao próprio Lula, mas são sou simpático aqueles que tentam ridicularizá-lo, aqueles que tentam estigmatizar o nosso presidente como um sapo barbudo feio(sei que ele é feio, mas e daí?) e ignorante na tentativa de desgastá-lo politicamente. Ele não teria conseguido um décimo do que conseguiu, se não tivesse competência, instrução(mesmo sem diploma), inteligência e também uma determinação invejável.

Quanto ao uso de dois pesos e duas medidas por meios influentes da imprensa nacional com o objetivo de manipular os leitores. Isto sim é que é ridículo, burro e muuuuuito feio. Diria até que é algo desprezível, ainda mais numa sociedade que se diz uma democracia.

Você não está no Rio Grande do Sul? O que importa? Isto acontece em todo o Brasil. Dois pesos duas medidas. Imparcialidade zero, não só do Zero Hora. Por isto, pense bem e escolha com cuidado o que lê.

Vinicius AC

Revista Brasileiros – O Irã dos Homers

Este artigo foi originalmente publicado na Revista Brasileiros e gentilmente cedido pela mesma para publicação aqui no portal AAmigos. Comento isto no final desta publicação.

Edição 17 – Dezembro/2008

O Irã dos Homers

Filosofias conflituosas desde a criação dos Estados Unidos talvez expliquem por que dois terços dos americanos não sabem onde fica o Irã e 80% dos alunos do Texas desconhecem que a gasolina vem do petróleo.

Jim Wygand

Cá estou de novo – O Gringo “do” Paz (Brasileiros, edição 13, agosto/2008). Presumo que os meus amigos brasileiros possam estar um tanto confusos após assistirem à briga que houve para ser eleito o presidente dos EUA. Devem estar com a impressão que o arquétipo do eleitor norte-americano é Homer Simpson (personagem do desenho animado Os Simpsons, seriado de TV criado por Matt Groening para a FOX). Com efeito, não estariam longe da realidade se pensassem assim. Algum tempo atrás eu estive conversando com um sujeito nos EUA que afirmou com todas as letras que deveríamos jogar uma bomba nuclear no Irã. Me ocorreu perguntar se ele sabia onde ficava o alvo do seu ódio. “Claro que sei!”, disse ele com convicção total. Tirei a minha agenda que tinha um pequeno mapa-múndi e pedi para ele me mostrar onde ficava o Irã. “Aqui, ó!” e apontou direitinho para a. AUSTRÁLIA!!

O meu interlocutor pode ter ficado confuso uma vez que na Austrália tem camelos. Mas, pera aí, no Irã não tem cangurus! Ok, vamos assumir que esse cara não seja um dos mais esclarecidos. Não se pode julgar um país inteiro pela resposta de um só sujeito. Mas o que dizer quando dois terços dos americanos não sabem mostrar num mapa onde fica o Irã? Ou quando uma pesquisa num colégio do Texas mostrou que 80% dos alunos não sabiam que gasolina era derivada de petróleo? Texas! Um estado petrolífero!

Para entender os EUA, o grau de ódio e baixeza que marcou a campanha, e a ignorância (aparentemente proposital) do Homer, é necessário ter uma noção da dicotomia que caracteriza o país desde a sua fundação e o que eu chamo de “peso do conhecimento secular”. Os “pais da república” norte-americana – Thomas Jefferson, Benjamin Franklin, etc. – eram formados no “iluminismo” e “utilitarismo” do século XVIII. Eram homens intelectualmente sofisticados, seculares, desconfiados do poder absoluto, e achavam que o ser humano era nem moral nem imoral e sim, simplesmente, racional e autocentrado. Eles criaram um sistema desenhado para governar e frear os impulsos percebidos como negativos (principalmente autoritários) do ser humano por um sistema de checks and balances (essencialmente “contrapesos institucionais”). De acordo com o pensamento deles, era possível criar um sistema de governança em que a tendência de buscar egoisticamente a auto-satisfação poderia fazer o bem – mesmo que essa não fosse a intenção da pessoa. O poder era exercido pelo povo e para o povo e regulado por instituições, não por indivíduos.

Porém, os primeiros colonos dos EUA eram, em sua maioria, puritanos. O puritanismo era produto intelectual da Reforma Protestante e do Calvinismo e tinha uma visão do ser humano totalmente diferente daquela dos iluministas. Para os puritanos, o homem era imoral ‘por natureza’. O mundo era um conflito permanente entre o bem e o mal e o ser humano precisava de regras rígidas de comportamento para manter a ordem social. Portanto, os puritanos acreditavam na necessidade de um poder absoluto baseado nas leis de Deus para governar o comportamento do cidadão.

Necessariamente, as duas filosofias estariam em conflito total até nos seus fundamentos e, portanto, na formação e aplicação de políticas públicas. Ao longo da história americana esse conflito entre as duas posições manifestava-se em atos legislativos, como a Lei Seca (que tratava o consumo de álcool como um ato imoral), ou na proibição do ensino da teoria da evolução nas escolas públicas, o que, na visão dos puritanos, contradizia a “verdade de Deus”. Você acredita que um outro “Homer” me disse uma vez que o homem vivia junto com os dinossauros em perfeita harmonia no Jardim do Éden? Não estou brincando! Disse isso mesmo! Acreditava, e ainda acredita! Será que daí se entende a popularidade dos Flintstones? Será que não era desenho e sim documentário?! Quer mais? Conheço um piloto que faz “modificação climatológica”. Ele entra com o seu avião dentro de tempestades e joga iodeto de prata para diminuir o tamanho do granizo que, sem ser tratado, destruiria as lavouras lá em baixo. Em algumas cidades, os fundamentalistas atiravam com armas de fogo contra o seu avião, pois diziam que o granizo era “vontade de Deus” e se Deus quisesse que a lavoura fosse destruída “Amém, irmão”. Vá entender!

Os iluministas tratavam a relação do cidadão com Deus como uma coisa privada e fora do controle do Estado. Para os iluministas, a única função do Estado no que diz respeito à religião é a de garantir o direito de escolha. Os puritanos achavam que a relação do cidadão com Deus era uma questão social e, portanto, deveria ser controlada pelo Estado. Ateus ou agnósticos não tinham espaço na sociedade dos puritanos.

Esse conflito entre as duas visões do mundo – diametralmente opostas – marcou e continua marcando a sociedade estadunidense até hoje. Durante quase toda a história dos EUA a visão secular predominava, porém aos solavancos. Como cabe à Suprema Corte a interpretação da Constituição, que por sua vez é secular na sua essência, os puritanos – hoje na forma de “fundamentalistas” – escondiam-se nos direitos “residuais” dos estados. Criavam-se Blue Laws (literalmente “leis azuis”) estaduais ou municipais que regulavam comportamentos considerados “imorais”. Assim, havia leis estaduais ou municipais condenando homossexualismo, consumo de álcool, pornografia, casamentos inter-raciais, casamentos entre homossexuais, etc. Lembro-me uma vez que fui “convidado” a sair de uma praia em South Carolina porque a minha namorada estava usando um biquíni brasileiro que foi considerado excessivamente “revelador” e portanto um atentado ao pudor. Imagine! Como uma bunda bonita pode ser um atentado ao pudor? Vinicius de Moraes devia estar girando na cova!!

Nessa mesma praia, de onde eu e a minha namorada fomos, honrada mas puritanamente, expulsos havia uma cerca que entrava mais ou menos uns cem metros dentro do mar. A cerca era para manter a “praia dos pretos” separada da “praia dos brancos”. Quando eu perguntei a um residente local quem havia determinado que cem metros era a exata distância “apropriada” para separar as duas raças, a resposta foi somente um olhar perplexo. Perguntei: “Quer dizer que depois de cem metros os pretos e os brancos podem nadar juntos sem conseqüência?” Não tive resposta. Outros estados (o Tennessee, por exemplo) proibiam o ensino da teoria da evolução nas escolas públicas. Havia também, particular mas não unicamente no Sul dos EUA, o conceito de “separadas porém iguais” para manter escolas especificamente para brancos e outras, supostamente iguais, para os negros. Essas leis, além de algumas outras da mesma forma excludentes, foram paulatinamente derrubadas por decisões da Suprema Corte – secular por natureza e por obrigação.

Quase todas as Blue Laws foram questionadas por meio de processos legais que chegavam à Suprema Corte e muitas foram derrubadas como anticonstitucionais. (Quem tem o direito de me negar o meu “mé”?) Acabou exacerbando-se, e em muito, a divisão entre os “seculares” e os “fundamentalistas”. Esses últimos começaram a sentir-se “excluídos” e discriminados.

A eleição do George W. Bush foi a revanche dos fundamentalistas. Atualmente, em muitos estados discute-se o ensino obrigatório do Creationism (literalmente “criacionismo”), que prega a interpretação literal do Livro de Gênesis sobre a criação do mundo. Para os fundamentalistas o nosso mundo foi criado somente há uns seis ou sete mil anos e o homem e os dinossauros viviam em paz no Jardim do Éden, como havia dito o meu segundo “Homer”. Diz-se que a Sarah Palin, ex-candidata republicana à vice-presidência, acredita que Deus “pessoalmente” (ou “divinamente”?) visitou e abençoou o oleoduto no Alasca, e que a enchente descrita na Bíblia ocorreu no Grand Canyon. (E eu perdi essa??!!)

O conflito entre os fundamentalistas e os seculares foi exacerbado pela internet, que permitiu que todo tipo de informação e opinião pudesse ser divulgado. O isolamento intelectual dos fundamentalistas foi eliminado e eles puderam comunicar as suas frustrações (e as suas besteiras ao meu ver) a outros fundamentalistas outrora isolados em comunidades geograficamente distantes. Assim, puderam criar “grupos de interesse comum” e, portanto, grupos de pressão política. Puderam organizar-se contra o que percebiam ser a “dominação pelos seculares”, ateus e “discípulos de satanás”.

Deve-se notar que a organização social concebida pelos fundamentalistas americanos não difere muito da organização pregada pelos fundamentalistas islâmicos. A única diferença encontra-se na escolha dos americanos cristãos como pedra fundamental da sua filosofia. Daí as declarações de Bush de que a “guerra contra o terror” é uma disputa entre o bem e o mal – que transcende a questão de segurança nacional e passa a ser uma questão moral/religiosa (usou até a palavra “cruzada” num discurso). Daí a preocupação com a possibilidade de uma “conexão islâmica” no passado do Barack Obama na campanha eleitoral.

Para quem conhecia, ou sentia na pele, essa dicotomia, a disputa eleitoral entre Barack Obama e John McCain ofereceu todos os elementos e desconfortos dessa divisão histórica nos EUA entre fundamentalistas e seculares. Hoje, traduz-se a divisão entre os dois em termos de “patriotismo” e a luta entre capitalismo e socialismo – esse último considerado primo-irmão do ateísmo – em que o socialismo não é apenas uma ideologia mas sim uma manifestação política do mal “satânico”. Quando Obama não usava a bandeira americana na lapela era acusado de secretamente apoiar os terroristas. Era acusado de ser “amigo” de um sujeito que, em oposição à guerra do Vietnã, tornou-se terrorista quando Obama tinha 8 anos de idade! (Ora, por esse critério, sendo eu de New Jersey, devo ser um mafioso, pois estudei com os filhos e freqüentei as casas dos capi da Honorata Societá). Os fundamentalistas argüiam que havia duas Américas – uma do bem e outra do mal. A América do bem é a das cidades pequenas do interior e dos “Homers” da vida, dos protestantes brancos e religiosos. A América do mal é aquela das cidades grandes e seculares. A América do bem seria a “verdadeira” América na visão dos fundamentalistas. Conclusão, a “outra” América é ‘falsa’. Essa divisão nos EUA é extremamente perigosa quando se considera o poderio militar do país. (O orçamento militar dos EUA é maior que o total dos orçamentos dos quatro maiores poderes militares do mundo.) A divisão que fazem os fundamentalistas entre o bem e o mal justifica toda maneira de combater o mal, como, por exemplo, a Bush Doctrine, que prega a intervenção militar (leia-se “ataques” ou “invasões”) “preventiva” em países que são considerados ameaças à segurança nacional dos EUA – os países do mal. Justifica também a investigação e prisão “preventiva” de cidadãos estadunidenses (aqueles da “falsa América”) e a tortura dos que possam discordar das determinações dos líderes da “verdadeira América”. Vide, por exemplo, o conteúdo do famigerado Patriot Act (lei assinada por Bush em outubro de 2001, verdadeira agressão à liberdade individual).

Como sou de New Jersey, considerado “urbano”, e vivo (horror dos horrores!) num país latino-americano, em uma das maiores cidades do mundo, já morei na cidade do carnaval e dos pecados da carne (Rio de Janeiro, para quem não reconheceu!), e fui expulso de uma praia nos EUA porque minha namorada “mostrou a bunda”, acredito em evolução, e não acredito que Deus visitou o Alasca (acho que preferiria Nova York ou talvez Miami – se Deus é de fato brasileiro), devo ser considerado parte da América “do mal”? Fiquei triste em saber que eu nasci na “falsa América”. Será que o meu passaporte é válido? Será que o meu serviço militar pode ser interpretado como uma “infiltração subversiva ou alienígena” nas Forças Armadas dos EUA? Será que sou um estranho no ninho?

Caro leitor, nem todos os eleitores estadunidenses são Homer Simpson, mas os “Homers” são suficientes em número para que você se preocupe com a direção que aquele país possa tomar, e quase tomou. Essa dicotomia entre fundamentalistas e seculares pede para terminar, mas continua viva ainda. O mundo agradecerá e os americanos não lançarão uma bomba nuclear sobre a Austrália!

E não acho nada errado apreciar uma bunda bonita num fio dental! Pô, onde nós estamos, afinal??!!

Finalmente, uma pergunta que sempre me preocupou: Se Adão e Eva tiveram só dois filhos, Abel e Caim, e este último matou o primeiro, e não havia nenhuma outra mulher além da Eva no pedaço, de onde saíram os progenitores e progenitoras da espécie humana? Hummmm! Se for por incesto, que supostamente gera cria retardada, está explicada a existência de tantos “Homers” por aí. Só tô perguntando!! Perguntar não ofende!

*Jim Wygand, mestre em economia pela Universidade de Wisconsin, trabalhou em projeto de urbanização de favelas junto à Companhia para o Progresso do Estado da Guanabara (COPEG), foi analista financeiro da DuPont, fundador e presidente da Business International do Brasil, empresa que analisava a economia brasileira para empresas internacionais, e fundador-presidente da Kroll Associates do Brasil (AD – antes da debacle) e da Control Risks do Brasil, especializadas em segurança corporativa. Atualmente presta serviços de consultoria nas áreas de investigação de fraude, due diligence, e gestão de risco através de Singular Strategies Ltda. e é diretor para o Brasil da empresa norte-americana 1st West Mergers & Acquisitions Llc.

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Mais uma vez agradecemos a revista Brasileiros, mais especificamente a Fernando F. Mello, coordenador editorial  da revisto, por ter permitido a publicação desta ótima matéria.

Conheci a Brasileiros muito recentemente (graças ao Twitter) e me surpreendi com a ótima variedade e qualidade das publicações. Me sinto carente, pois conheço poucas boas revistas brasileiras, em função disto, fiquei feliz em descobrir que há mais uma boa opção disponível.

Vinicius AC.