Carta aos jornalistas sem-diploma

Rodrigo Manzano

Publicado em: 26/06/2009 09:49

Carta aos jornalistas sem-diploma

Queridos novos colegas,

Sejam bem-vindos. Vocês podem estar se sentindo um pouco rejeitados, mas nem todos os jornalistas estão aborrecidos com a notícia de que teremos novos colegas de trabalho agora. As reações mais violentas, acreditem, escondem amores obtusos, paixões desmesuradas e, quem sabe, até uma ponta de inveja. Estou particularmente feliz com a chegada de vocês ao nosso mercado profissional. Já era hora de nos encontrarmos com novas pessoas, novas ideias e novas abordagens em nosso dia-a-dia. Tanto barulho, não se iludam, não significa nada relevante. É apenas barulho e passa. A vida de jornalista, acreditem, não tem o glamour dos filmes e nem nós, o charme de um Clark Kent. Aliás, nem super-homens somos e com tanto trabalho em frente – não falta notícia no mundo, vocês verão – já era tempo de recebermos uma ajuda nesta difícil missão de informar nossos públicos sobre o que se passa além do portão de seu jardim.

Esta carta de boas vindas é sincera e espero que seja útil agora e no futuro. Quando chegarem às redações e assessorias de imprensa, certamente alguém tratará de menosprezá-los, porque, dirão, vocês não têm diploma. Isso não os faz menos jornalistas, porque nada relevante pode ser mudado apenas com um pedaço de papel. Vocês podem lhes responder, ou não. A melhor maneira de oferecer uma resposta a eles é praticando algo que muitos de nós não conseguimos: competência, ética, frescor e novas ideias. A profissão de jornalista é muito chata. Engana-se quem pensa serem as redações ambientes de reflexão, de engajamento e de sinceros desejos de mudança. São lugares cheios da poeira simbólica da imobilidade e do conformismo. Será uma boa oportunidade para vocês mostrarem a nós, jornalistas com diploma, que estivemos absolutamente equivocados nesse tempo todo e que há outras e melhores maneiras de exercer a nossa profissão.

Desconfiem sempre de tudo. Desconfiem se alguém lhes disser que a verdade é uma só. A verdade, caros colegas, são muitas. Há a verdade da vítima e a do assassino, há a verdade do político e do eleitor, há a verdade do patrão e do empregado. Vocês não têm que escolher uma delas, apenas dar espaço a todas. Se alguém disser que vai lhes ensinar a exercer a profissão – afinal, vocês são focas em nosso ofício – recusem. Recusem com elegância e digam ao seu interlocutor que é ele que pode aprender com vocês.

Chegará a hora que perguntarão…

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