Sexo, Drogas e Rock´n´roll ou Amor (?) Anabolizantes e Estampas?

Sexo, Drogas e Rock´n´roll ou Amor (?) Anabolizantes e Estampas?

Outrora tínhamos um objetivo bem claro: liberdade. Ser livre do sistema injusto que aprisiona cidadãos com ideologias, utopias de uma vida real, engendrando o que muitos chamam hoje de “liberdade”. Por que o amor se torna a cada salto do tempo, algo utópico, uma incógnita, surreal. Vemos casais dizendo: “eu te amo!” com tanta frieza e facilidade que faz pensar ser algo normal, como um simples alimento na prateleira do supermercado, na seção de consertos urgentes para o coração. Mas o seu preço aumenta a cada dia, vítima do consumismo exagerado que conduz a mulher ao conceito de depósito de objetos. Calma, eu sei que há exceções, também acredito no amor verdadeiro, também sou humano e sonhador. Porém é comum ver um rapaz simpático com uma bela dama elegante oferecendo-lhes mil objetos, bens materiais, e ela, no mais belo gesto do grande sentimento que existe: “te amo!”. O capitalismo conseguiu uma das maiores proezas que poderia, programar o nosso prazer, não só o sexual, do apetite sexual, mas também o da Philia, do amor, da alegria, da afetividade com momentos que se faziam eternos na mente das pessoas.
Vivendo em um mundo moderno não podemos ficar para trás, as academias lotadas concretizam essa realidade do século XXI. Novos instrumentos, novas drogas, anabolizantes para fazer um medíocre sentir-se erógeno diante das mulheres e do mundo em que habita, porém fazendo de seu mundo um ermo, deixando de viver como um dia sonhou, ou quis sonhar, atacado pelos grilhões da medicina moderna, pelo exercício do “espelho, espelho meu…” do corpo gigante e do cérebro vazio. Concordo que existem pessoas que conseguem conciliar entre o bom exercício físico e o excelente mental. Penso que muitos ainda conhecerão Voltaire, Conan Doyle, Allan Poe, Machado de Assis, Victor Hugo, Paulo Leminski, Moacyr Scliar e por que não, eu e meus amigos? Meus mestres e meus inimigos? Que um dia eles não se preocupem apenas em qual massa corpórea comprar para amanhã.
E viva o rock´n´roll, dos hits dos anos 60 aos 80, das eternas vozes dos anos 90, e dos Woodstocks do século XXI. Há muito vivemos a época da rebeldia: The Doors, Ramones, Sex Pistols, Metallica, Iron Maiden, Nirvana, Offspring, Foo Fighters, Linkin Park, Legião Urbana, Cazuza, Gabriel o Pensador, O Rappa, Engenheiros do Hawaíí, Zeca Baleiro, Lobão, Rock in Rio, Live Earth, RBD!? Jona Brothers?? O sistema diz que precisamos de novos revolucionários, dos citados, talvez os dois últimos estejam às normas do padrão imposto por ela, os outros não eram (ou são) covardes, mas eram (e alguns ainda são) considerados os loucos da humanidade, todavia eles sabiam (e sabem) que viveram (e vivem) em um mundo de loucos. Jim Morrison, Che Guevara, Cazuza, Renato Russo, Raul Seixas, Bob Marley, Ayrton Senna, Martin Luther King, Mahatma Gandhi, Kurt Cobain. Humberto Gessinger, Zeca Baleiro, o que eles têm em comum? Olha nas vitrines dos shoppings, nas barracas dos camelôs, na rede nacional, olha ao seu redor. As idéias revolucionárias estão lá, penduradas, quarando sobre a luz do sol artificial de seus olhos, algumas até em promoção, aproveite, compre a sua! Não acredito que eles inventaram maneiras de ver a vida com outros olhos para ficarem expostas atrás de espelhos transparentes como estampas de camisas da nova geração. Essa Geração Coca-Cola que a Legião cantou pelo mundo, que fizeram tantos movimentos contra o sistema, hoje seguem como manda a cartilha. È difícil ver ídolos (não os que passam na rede nacional) de uma época nos peitos da sociedade. Acredito que nem eles queriam estar lá, sendo vítimas do materialismo incorporado por muitos. E amanhã? Quem serão esses líderes, os novos revolucionários, aqueles que aparecerão por quinze minutos, mas ficarão estampados em novas camisas, como disse Lulu Santos: “Hoje o tempo voa amor”. Se seguirmos o sistema vigente não será tão difícil de saber quem serão os nossos novos heroes. Vou dar uma dica, um deles tem apenas três letras…
Concluo com o que um dia Axl Rose disse: “Não somos jovens tristes, somos apenas lúcidos”. E Gregório de Matos também: “Não é fácil viver entre insanos”.
José Douglas Alves dos Santos
jdneo@hotmail.com
8112 6581
Estudante de Pedagogia pela Universidade Federal de Sergipe